A construção do mito Mário Palmério
é o nome do livro de André Azevedo da Fonseca, que será lançado em em 2012 pela Editora da Unesp. Baseada na tese de doutorado do pesquisador, a obra analisa os procedimentos que o escritor mineiro empreendeu nos anos 1940 para conquistar admiração social e se tornar um verdadeiro mito político regional. A obra segue a linha da História Cultural. Fonseca procura explicar detalhadamente todo o processo de ascensão profissional, social e política de Mário Palmério, seguindo cada passo realizado na construção de suas escolas para tentar compreender como e porque ele foi eleito deputado federal nas eleições de 1950, aos 34 anos de idade, na primeira vez em que se candidatou a um cargo público.

Para falar do personagem e do livro, o autor criou um site, onde comenta a trajetória do escritor e político e publica fotos descobertas sobre a pesquisa. Abaixo, publicamos trechos do post intitulado “A obra”, onde Fonseca apresenta sua pesquisa e seu personagem. André Azevedo da Fonseca é Doutor em História (Unesp) com pós-doutorado em Estudos Culturais pelo Programa Avançado de Cultura Contemporânea (PACC/UFRJ).  Professor e coordenador do curso de Comunicação Social da Universidade de Uberaba (Uniube), e coordenador do Memorial Mário Palmério. É autor de Cotidianos culturais e outras histórias (Uniube, 2004), “Água de uma fonte só” (capítulo de Formação e Informação Ambiental), de Sérgio Villas Boas (Summus, 2004) e um dos organizadores de Cultura e sociedade: causos, povo e imaginação (UFTM, 2010).

A construção do mito Mário Palmério

O livro analisa os procedimentos que o escritor mineiro empreendeu nos anos 1940 para conquistar admiração social e se tornar um verdadeiro mito político regional.

Na década de 1950 o professor Mário Palmério (1916-1996), futuro autor de Vila dos Confins (1956), foi representado pela imprensa do Triângulo Mineiro como um verdadeiro mito da cultura política regional.

Neste período, como candidato a deputado federal, ele irrompeu como uma espécie de herói salvador nas lutas de representações que procuravam impor um conjunto de ideias para responder às crises sociais, políticas, econômicas e identitárias dessa região historicamente agitada por movimentos separatistas.

Para isso, tal como um personagem de si mesmo, o jovem professor atuou conscientemente durante mais de dez anos para teatralizar uma imagem pública, conquistar distinção social, acumular prestígio e consagrar o seu nome no cenário regional. Novato na vida partidária, este ator social interpretou os anseios de seu tempo, mobilizou os circuitos de opinião das elites e promoveu uma autopropaganda intensiva para afirmar a vinculação de sua figura a uma série de valores profundamente enraizados na cultura local.

Neste período, as crises que perturbavam aquela sociedade fermentavam um campo muito propício para a elaboração de mitologias. Por tudo isso, em seu discurso, ao invocar o poder das forças históricas em nome da união de seu povo; ao apontar com firmeza o caminho “certo” e “seguro” para a superação das crises; e ao anunciar com entusiasmo a iminente conquista da civilização, da cultura e da prosperidade em sua região, o guerreiro messiânico encenado de modo espetacular pelo candidato Mário Palmério correspondeu à ansiedade dos eleitores por um signo de modernidade capaz de suplantar o monopólio da economia agrária que, naquele momento de instabilidade, parecia definitivamente condenada à bancarrota.

O livro A construção do Mito Mário Palmério analisa a ascensão profissional, social e política do escritor mineiro, relacionando as aspirações da cultura regional com a simbologia que este personagem operou naquela sociedade para encenar uma representação sagrada e heróica de sua imagem e de sua trajetória.