Queridos pesquisadores do Pós-Doutorado do PACC,

Na próxima quinta-feira, 09 de maio, teremos a seguinte programação:


13h30 – Abertura

14h/14h45 – Apresentação de relatório final: Edgar Cézar Nolasco dos Santos. “Paisagens Críticas Transculturais na Fronteira sem Lei (Mato Grosso do Sul/Paraguai/Bolívia)”
Supervisor: Denilson Lopes

Sinopse: Embasado no que postulam os estudos pós-coloniais/ocidentais, e tendo como lócus demarcado a fronteira-Sul do Oeste brasileiro, mais precisamente a tríplice fronteira Mato Grosso do Sul ( Brasil), Paraguai e Bolívia, o trabalho visou discutir a estratégia como a crítica local dialoga com as críticas vindas dos grandes centros do pais e de fora. Sabedora de que a única forma de barrar a replicação conceitual encontrada nas práticas veiculadas por meio dos discursos acadêmicos e disciplinar dá-se por meio de uma epistemologia fronteriza ( MIGNOLO), uma epistemologia outra, a crítica subalterna da fronteira, sem ignorar a força e a história da epistemologia moderna, rechaça qualquer modo de pensar que não tenha como ponto de partida o devido reconhecimento da importância do lócus geoistórico cultural no qual as produções se encontram, bem como o próprio intelectual que se predispõe a pensar de uma perspectiva subalterna. No decorrer do trabalho, constatou-se que a pedra no meio do caminho da crítica subalterna, periférica, fora do eixo, fronteriza ou latina (empregou-se ambas as rubricas para o que foi entendido como uma reflexão crítica assentada em uma epistemologia outra) era o discurso colonial moderno que não levou em conta as diferenças coloniais encontradas nos lugares periféricos, a exemplo da América Latina, reforçando, por conseguinte, a prática da repetição dos conceitos migrantes/ itinerantes dos centros (Norte) para as bordas (Sul). Na mesma direção, percebeu que, em se tratando de Brasil, perdura um “colonialismo interno crítico” da crítica hegemônica dos grandes eixos que simplesmente, por ignorar, ou desconhecer, as diferenças específicas dos lugares ( cultura local, língua, entreveros culturais, políticos e sociais), propõe um discurso que, quase sempre, interioriza tais diferenças, reforçando, assim, sua hegemonia crítica e fragilizando a epistemologia que emerge das margens. Sem perder a direção, mas pensando agora no lócus fronterizo priorizado na discussão, constatou-se, com uma certa facilidade, que a pratica crítica levada a exaustão na fronteira-Sul, grosso modo, não fez/faz outra coisa senão endossar os postulados da crítica dos centros (Norte), autenticando, assim, um pensamento moderno que antes mesmo de deixar os centros já tinha impregnado em seu corpo o gosto de coisa passada. Enfim, a questão não se coloca mais em termos de local e global, dentro e fora, centro e periferia, Primeiro, Segundo e Terceiros Mundos enquanto entidades, mas, sim, enquanto categorias que nos permitem pensar por fora dos dualismos/fundamentalismos que embasaram todo o pensamento ocidental moderno colonial.

14h45 / 15h45 – Debate em formato Call for Problems.

Pedimos aos  pesquisadores que quiserem participar com questões mais específicas relativas ao próprio trabalho  preparem suas perguntas e se inscrevam para o debate. Cada um terá no máximo 5 minutos para sua fala.  Depois, se houver tempo, o debate será aberto a todos.

15h45 / 16h – Intervalo

16h /16h45 – Palestra” As Mediações do Conhecimento Etnográfico”, Marcia Contins (PPCIS/UERJ) e José Reginaldo Santos Gonçalves (IFCS/UFRJ).

Sinopse: Vamos expor e discutir alguns modos de entender a produção do conhecimento etnográfico, acompanhando suas transformações ao longo da história da antropologia. Discutiremos as formas pelas quais os etnógrafos se esforçaram no sentido de diferenciar o seu conhecimento daquele produzido por viajantes, romancistas, missionários, jornalistas,  militantes e pelos próprios “nativos”. Traremos para discussão nossa própria experiência enquanto etnógrafos que realizam pesquisas no meio urbano.

16h45 – Debate

O encontro será no salão Eletrobrás do Colégio Brasileiro de Altos Estudos da UFRJ, à Av. Rui Barbosa, 762 – Flamengo.

Confirme sua presença e até lá! Um abraço.

Ilana Strozenberg e Liv Sovik
Coordenadoras