© JORGE BISPOJoão Paulo Cuenca nasceu no Rio de Janeiro em 1978. É autor dos romances “Corpo presente” (2003). “O dia Mastroianni” (2007) e “O único final feliz para uma história de amor é um acidente” (2010). Seus romances tiveram os direitos comprados por Portugal, Espanha, Itália, Alemanha, França, Estados Unidos e Finlândia.

Em 2007, foi selecionado pelo Festival de Hay como um dos 39 jovens autores mais destacados da América Latina e em 2012 foi escolhido pela revista britânica Granta como um dos 20 melhores romancistas brasileiros com menos de 40 anos.

Entre 2003 e 2010 escreveu crônicas semanais para jornais como Tribuna da Imprensa, Jornal do Brasil e O Globo – algumas delas foram reunidas na antologia “A última madrugada” (2012). Já colaborou para publicações como Babelia (El País), Granta, Playboy, Vogue e Time Out.

Nos últimos anos escreveu roteiros para a TV (“Afinal, o que querem as mulheres?”, 2010, Dir. Luiz Fernando Carvalho), e trabalhou com Teatro como autor (“Terror”, 2011, encenada em Brasília e no Rio de Janeiro, Dir. Pedro Brício) e como coautor e codiretor (“Fragmentos”, 2011, uma adaptação livre do trabalho de Roland Barthes). Ao lado do diretor português Miguel Gonçalves Mendes (“José e Pilar”) e da romancista brasileira Tatiana Salem Levy, escreveu e dirigiu “Nada tenho de meu” (2012),  uma mistura de caderno de viagens e ficção, resultado de uma viagem de 50 dias ao sudeste asiático. Os 20 episódios foram exibidos pelo Canal Brasil.

Em 2014 irá rodar o seu primeiro longa-metragem como diretor, “A morte de J.P. Cuenca” (título provisório) que ganhou o Edital de Produção da Rio Filme em agosto de 2013. Trata-se de um documentário relacionado ao romance que está escrevendo no momento.

Já fez leituras como escritor convidado em Brown (2013), Heidelberg (2012), Salzburg  (2012), Princeton (2011), Columbia (2011), UFSC (2008), UFRN (2008), Sorbonne Nouvelle – Paris III (2006), PUC-Rio (2004), UFRJ (2004), entre outras.

Participou como escritor convidado de festivais e feiras literárias como o Festival Literário Internacional de Berlim (2012, 2013), Feira de Frankfurt (2012, 2013), Americas Society Symposium on Brazilian Literature (Nova Iorque, 2011), Festival Literário de Macau (Macau, 2012), Festival Vivamerica (Madrid, 2011), Festival de la Palabra (Puerto Rico e Nova Iorque, 2011), Correntes d’Escritas (Portugal, 2008, 2009, 2011), Bienal do Livro do Rio de Janeiro (2003, 2005, 2007, 2009, 2011, 2013), London Brazilian Festival (2010), Festival Internacional de Nova Narrativa (Ushuaia, Argentina, May 2010), Festival Internacional del Libro de Lima (Peru, 2009), Bienal do Livro de São Paulo (2006, 2008), Literatura em Viagem (Portugal, 2008), Hay Festival Xalapa (2012), Hay Festival Cartagena de Indias (Colombia, 2008, 2013), Hay Festival Bogota 39 (Colombia, 2007), FLIP (Paraty, 2004, 2010, 2012), entre outros.

É graduado em Ciências Econômicas pela UFRJ (1996-2002).

 

A MORTE – obra em progresso (2011-2014?)

“A morte” (título provisório) conta uma história de mistério envolvendo o escritor João Paulo Cuenca e um duplo anônimo que estava utilizando o nome e a identidade do autor antes de ser encontrado sem vida num edifício ocupado no Centro do Rio de Janeiro em 2008. Se na ficção e nas páginas policiais de um jornal é um clichê que fugitivos roubem a identidade de mortos para começar uma nova vida, o que temos aqui é o caso oposto: alguém que rouba a identidade de uma pessoa viva para morrer. O que segue é uma investigação policial e literária – a procura por respostas numa cidade conhecida por não oferecê-las.

O romance é baseado em fato real e documentado. Saiba mais.

 

O ÚNICO FINAL FELIZ PARA UMA HISTÓRIA DE AMOR É UM ACIDENTE (2010)

O único final feliz...O jovem executivo japonês Shunsuke Okuda achava que a garçonete Iulana Romiszowska, uma polonesa-romena de panturrilhas sólidas e nome impronunciável, seria apenas sua namoradinha do momento. Até porque Iulana já estava apaixonada por outra pessoa, a dançarina do inferninho de Tóquio onde os dois se conheceram, e o salaryman conquistador não se sentia à vontade desfilando ao lado de garotas ocidentais.

Mas tocar na gaijin é como “tocar num animal desconhecido”, e a fulminante obsessão de Shunsuke pela garçonete o faz mergulhar num relacionamento tórrido e acidentado. Iulana pode ser a mulher da sua vida. O problema é que eles estão sendo observados.

Atsuo Okuda, pai de Shunsuke, acompanha cada passo do filho por meio de gravações clandestinas realizadas pelo misterioso sr. Suguro Shibata, professor de uma certa Associação do Fugu Harmonioso de Tsukiji. A rede particular de espionagem, apelidada de “ submarino” , é apenas uma das muitas perversões do sr. Okuda, um poeta ancião que parece especialmente interessado em esmagar a felicidade do filho enquanto lê poemas para sua nova companheira Yoshiko, uma boneca erótica ultrarrealista, construída de acordo com minuciosas instruções. Quando o velho poeta passa a se interessar por Iulana, Shunsuke terá seu amor e sua própria vida postos em risco pela sombra maligna do pai. Com uma estrutura caleidoscópica, que alterna narradores e estilos — as repetições

burocráticas de Shunsuke, os pensamentos da inocente boneca inflável, os poemas do velho sr. Okuda, os travellings ao redor das cenas e dos personagens –, J. P. Cuenca arma um conto de amor surpreendente, em que a vida fragmentada da megalópole, o voyeurismo onipresente e a perversão humana são vilões que ameaçam qualquer chance de afeto.

“O único final feliz para uma história de amor é um acidente” põe o leitor em sua própria Sala do Periscópio, e nos conduz à ideia perturbadora de que, em alguns casos, os sobreviventes são as próprias vítimas.

[Leia um trecho do romance]

***

“O carioca João Paulo Cuenca firma-se como um dos grandes nomes de sua geração com O Único Final Feliz Para Uma História de Amor É Um Acidente, que poderia ter sido um simples exercício de encomenda para a série Amores Expressos, mas acabou como um projeto ambicioso sobre a visão da cultura japonesa por um gaijin. Não dominar seus códigos e a língua parece ser comum a todos os turistas que se aventuram pelo Japão. Com J.P. Cuenca não foi diferente. Ele se dispôs a tornar ficção o que era bem real: o pesadelo de quem vive numa sociedade um tanto esquizofrênica, dividida entre tradições arcaicas e o capitalismo hipermoderno. (…) Poderia ser uma história cínica, dessas típicas de Murakami, mas Cuenca vai além: tenta entender o Japão por meio da relação entre esse pai tirano, que come peixes venenosos como o fugu, e seu filho reprimido, fascinado pela cultura ocidental. Essa sociedade, marcada pela carência de ícones suaves, ganha, enfim, seu grande intérprete.” – Antonio Gonçalves Filho, O Estado de S.Paulo [14.08.2010]

“O risco de transformar as peculiaridades culturais de um certo Japão na miragem exótica que costuma embevecer leitores dados ao colorido de lugares distantes é evitado com um narrador de prodigiosa secura relativamente a tais exotismos. Aqui não há espantos, apenas constatações, e o que com elas se faz é um edifício narrativo tão sólido como os arranha-céus de Tóquio, e tão indiferente ao debate entre fantasia e verosimilhança como um apreciador de bonecas infláveis.” – Sara Figueiredo Costa, Revista Os Meus Livros – Portugal [mar. 2011]

“Dado que os corpos (e os desejos) são desiguais, o ser amado é sempre um “animal desconhecido”, como se pertencesse a outra espécie, diferente da humana. Não é possível harmonizar os corpos exceto na felicidade de um acidente fatal. Seria este o tema principal do livro, não houvesse outro, mais interessante: o do panóptico-submarino do pai, que, num primeiro nível, age como bloqueador da autonomia existencial do filho. Ocorre que o filho é ao mesmo tempo objeto e sujeito do controle. “Aprendi a vigiar sendo vigiado por meu pai”, diz Shunsuke. A interiorização da vigilância contribui para ampliar o aspecto fantasmático da própria realidade -esta sensação de estar em Tóquio como no fundo de “águas imundas”, onde todos parecem flutuar como espectros. (…) O real é monstruoso, mas os monstros também são reais, parece dizer Cuenca, que tem ainda um objetivo perverso: desafiar as artimanhas do narrador realista e expor a própria maquinação “panóptica” da ficção.” – Alcino Leite Neto, Folha de São Paulo [04.09.2010]

“O leitor que desembarcar na história pensando estar entrando no restaurante japonês da esquina vai se dar mal. O cardápio central do romance é o peixe fugu, altamente tóxico. Para não morrer, é preciso arrancar os olhos e alguns órgãos internos, é necessário extirpar o mal. O trem para, o narrador observa tudo em detalhes, repete os detalhes de tudo que vê. Não se deixa abater com facilidade pelo olhar venenoso, viciado e cheio de lugares-comuns do pai. Simples, portanto, o segredo do romance de Cuenca: nomear a identidade estrangeira (de high definition ou de carne e osso) sem preconceitos, buscando a compreensão de todas as maneiras, impondo também os limites necessários. O autor consegue narrar o alheio como se a ele pertencesse. O narrador se refaz na diferença, insubordinando-se contra a filiação. O texto, obsessivo em sua claridade, compõe belo trabalho para sairmos de vez da defesa barata da nação, ainda mais em tempos de tanta banalidade instalada no poder oficial.” – Sérgio de Sá, O Globo [04.08.2010]

“O simulacro é uma das ideias centrais do livro, seguido de perto pelo tema da exorcização da figura do pai, caro à psicologia e à própria literatura. Sendo, ainda, o pai um poeta, é evidente que Cuenca joga com a ideia da libertação da tradição tanto em literatura quanto em cultura, especialmente em se falando da cultura japonesa. Fazendo a opção pelo que há bem pouco tempo se chamava com distinção negativa de cultura de massa, de baixa cultura, o livro é uma defesa da estética cinematográfica e televisiva. O que é perturbador, e que torna o livro mais complexo, é que a personagem não-humana, a boneca dotada de sentimentos, corpo e nome (“eu sou meu corpo e meu nome”), embora com uma urna no lugar dos órgãos, é aquela que se perde nas especulações metafísicas, dando lugar a uma perspectiva de que por trás do simulacro, um “ser maquínico” pode se entregar a sentimentos puros, primitivos, num novo aprendizado do que significa ser.” – Ieda Magri, Jornal do Brasil [14.08.2010]

“Sem qualquer dúvida, trata-se do livro mais bem-composto de Cuenca, maduro e emocionante. Consegue, habilidosamente, fugir dos clichês mesmo contando uma história de amor. Este romance está repleto de marcas de acidez, num Japão que parece um inferno com todos os seus apelos cromáticos, a costurar o tom de toda a narrativa. ” – Eduardo Coelho, Revista LER, Portugal [set-2010]

“Neste pesadelo narrado com surpreendente leveza, em que há muitas respostas sem pergunta e outras tantas perguntas sem resposta, Cuenca volta a mostrar que é um escritor da materialidade visceral das coisas, dos corpos, do sexo e de todas as superfícies palpáveis.” – José Mário Silva, Expresso, Portugal [26.02.2011]

Capas O único final feliz...

“L’étoile montante de la littérature brésilienne se nomme Joao Paulo Cuenca. Né à Rio de Janeiro en 1978, économiste de formation, chroniqueur dans la presse, il a publié son premier livre à 24 ans et vient de signer un roman dont le titre résonne comme un manifeste philosophique : O Unico Final Feliz Para Uma Historia de Amor E Um Acidente (“La seule fin heureuse pour une histoire d’amour est un accident”). Ecrite à Tokyo, très influencée par les séries japonaises, cette étrange histoire d’amour entre plusieurs personnages – dont une poupée érotique – rappelle la thématique fétichiste de Kawabata, dans des décors où les caméras sont omniprésentes, comme si nous vivions à l’heure de l’espionnage et du voyeurisme généralisé. Pas encore traduit en français, Cuenca a le mérite de libérer la littérature brésilienne de ses atavismes, et la confrontant à des univers où elle ne s’aventure jamais.” – André Clavel, L’express [26.10.2010]

“Der brasilianische Autor João Paulo Cuenca beschreibt in seiner kosmopolitisch-magischen Novelle den omnipräsenten Voyeurismus in der japanischen Megacity, für die bildhaft das krakenhafte „U-Boot“ steht. Die archaischen Regeln einer zweitausendjährigen Geschichte treffen hier auf eine hypermoderne, freizügige Welt. Mit strengem Blick reflektiert Cuenca die Unfähigkeit der Menschen, ihren Gefühlen zu folgen, und die Perversion, die daraus erwächst. Mit der Stadt Tokio als Schauplatz wendet sich Cuenca ab vom erotisch-exotischen Südamerika-Klischee, das der brasilianischen Literatur noch immer anhaftet. Nichts in diesem Buch ist brasilianisch, bis auf einen nächtlichen Song von João Gilberto, dem Erfinder des Bossa Nova.  Zwei absurde Liebespaare. Der Versager Shunsuke und die illegale Aushilfskellnerin Julana. Der monströse Dichter Okuda und die Sexpuppe Yoshiko. Das klingt nach hartem Stoff. Und doch geht es im Kern nicht um Perversion und Sadismus. Es ist vielmehr eine Liebesgeschichte, die Cuenca in seinem lakonisch-fatalistischen Ton und mit jäh wechselnden Blickwinkeln erzählt. Pessimistisch bis auf die Knochen und wunderschön.  So lernt Yoshiko durch die Poesie des Herrn Okuda fühlen. Sie bleibt eine Silikonpuppe und ist doch neben Julana die menschlichste Figur des Romans. Sie lernt, Tee für Atsuo Okuda zuzubereiten und Fugu, den giftigen Kugelfisch, dessen Genuss oft tödlich endet. Das Gift, das der Autor auf den Seiten seines Buches verstreut, kitzelt beim Lesen ebenso reizvoll wie das des Fugu beim Verzehr. Denn auch beim Zerteilen des Kugelfisches lässt ein Meisterkoch gerade so viel Gift übrig, dass bei seinem Genuss ein schauriges Prickeln auf den Lippen entsteht.” – Michaela Metz, Sueddeutsche Zeitung [22.06.2013]

“Dass ein Japaner mit kritischer Ironie über Japan spricht oder ein Brasilianer über Brasilien, ist durchaus vorstellbar. Aber wie kommt ein brasilianischer Autor nach Tokio und schreibt dann einen Roman, in dem sich der Leser mit Begriffen wie “Yakitori” (gegrillte Geflügelspießchen) und “Yoshiwara” (Bordellviertel) herumschlagen muss? João Paulo Cuenca wagt einen solchen literarischen Spagat. Und dieser Spagat wird zu einem unentwirrbaren Knäuel von realen Vorgängen, surrealen Bildfolgen, Sex, Crime und Tod. Und auch der Titel schlägt wohl alles, was diesmal auf der Buchmesse geboten wird: “Das einzig glückliche Ende einer Liebesgeschichte ist ein Unfall.” – Von Andreas Puff-Trojan, Die Welt [06.10.12]

“Ein durch und durch moderner Roman auf höchstem literarischen Niveau, dessen Autor altbekannte und neueste Stilmitteln so geschickt in moderner Textur zu verweben vermag, dass man von größter Bestürzung bis zum höchsten Genuss allen Emotionen im Labyrinth der Liebe ausgesetzt ist.” – Susanne Rikl, http://www.kommbuch.com [Oct.12]

“Eine wahrlich ganz eigene Welt baut der Autor hier auf. Beim Lesen fühlt man sich an die Matrjoschka-Puppen erinnert. In der Geschichte ist eine Geschichte, ist eine Geschichte, ist eine Geschichte… Genremäßig ist “Das einzig glückliche Ende einer Liebesgeschichte ist ein Unfall” überhaupt nicht einzuordnen. Ein Stück Krimi, ein Stück Phantastik, und ganz viel realistische Magie. 141 Seiten zum Eintauchen in ein anderes Universum. Irgendwo angesiedelt zwischen Daniel Pennac, Paco Ignacio Taibo II, Jerome Charyn und ähnlichen Kalibern. Sprachlich angenehm anspruchsvoll und ein toller Klang im Deutschen, ein Lob an den Übersetzer Michael Kegler.” –http://www.hammett-krimis.de [Sept. 12]

“Cuenca kocht keinen massenkompatiblen Einheitsbrei, vielmehr zaubert er ein raffiniertes und überraschendes Crossover aus düsteren Zukunftsfantasien, hoffmanesken Motiven, japanischer Science-Fiction, brutalem Agententhriller und selbstverständlich einer Liebesgeschichte … ‘Das einzig glückliche Ende einer Liebesgeschichte ist ein Unfall’ ist ein verstörender, aber zugleich unglaublich witziger Roman, den man, sobald man sich in seiner verschachtelten dysotopischen Erzählwelt zurechtgefunden hat, in einem Zug durchliest.” – Kreuzer Jury, Leipzig – Buch des Monats

O DIA MASTROIANNI (2007)

capas_mastroinnni

“Dia Mastroianni” é qualquer dia, em qualquer tempo ou cidade do mundo, em que dois amigos decidem cumprir o hilário ritual de passar 24 horas vivendo como farsa o que o mítico ator italiano imortalizou como sua persona mais típica: um dândi que flana entre mulheres e prazeres, irônico e um tanto melancólico com o tempo que escorre com pouco sentido, muito som e nenhuma fúria.

Esta tradição não tem fundamento no cinema ou na memória, mas na imaginação de João Paulo Cuenca, que depois de transfigurar Copacabana em seu elogiado romance de estréia, Corpo presente, cria um mundo fora de qualquer eixo para Pedro Cassavas e Tomás Anselmo. A dupla de personagens vaga por uma cidade tão improvável quanto seus nomes e, entre o pipoqueiro traficante que faz ponto na Praça do Duomo e a boemia do Baixo Gália, vive um pesadelo dos mais divertidos que, aos poucos, vai tornando-se cada vez mais familiar ao leitor.

Isso porque O dia Mastroianni é, em muitos sentidos, um romance de geração ou, mais exatamente, dos clichês de uma geração que, por tanto temer os lugares-comuns, acaba confundindo-se inapelavelmente com eles. Os personagens citam, elogiam-se e expõem-se ao ridículo de suas pretensões sem qualquer limite. Repete-se – mais uma vez como farsa, é claro – o mandamento número um da nossa melhor ficção: Cuenca só se serve da pena da galhofa por ser ela encharcada do toner da melancolia.

[Leia um trecho do romance]

***

“Enfim, o romance da não-geração” – Bolívar Torres, Jornal do Brasil [10.11.2007]

“No último capítulo de “O dia Mastroianni”, um narrador em terceira pessoa assume o comando e, numa superposição de registros bastante elaborada, que leva à saturação máxima todos os personagens que encontráramos até então, tudo implode. Com “O Dia Mastroianni”, Cuenca supera o desafio de escrever o sempre complicado segundo livro depois de uma estréia promissora.” – Adriano Schwartz, Folha de São Paulo [03.11.2007]

“O dia Mastroianni é um livro absurda e absolutamente indispensável. Para pensar o presente. E chorar pelo futuro. E ter vontade de viver no passado. Romance com brilho, irônico, escrito com fúria e força raras – momento raro de força nestes tempos insossos em que qualquer Pose se quer um gênio inédito da raça. O dia Mastroianni é prosa para ler – e reler, rindo, para gargalhar. E, então, se dar conta de que João Paulo Cuenca é um dos grandes nomes da literatura brasileira contemporânea.” – Marcio Renato dos Santos,  Rascunho [Jan. 2008]

“Saudado como talentoso romancista, o carioca João Paulo Cuenca disseca o tédio existencial de uma geração em “O dia Mastroianni”. – Nina Atália, Correio da Bahia [19.01.2008]

“O dia Mastroianni é uma matinê, que brinca desde a capa ao figurino dos personagens com o clássico La Dolce Vita, de Fellini. Leve, engraçado e absurdamente cítrico. Um dos melhores livros da última década.” – Fabrício Carpinejar, O Estado de São Paulo [04.11.2007]

“O dia Mastroianni só é brasileiramente possível na ficção de João Paulo Cuenca. Em seu segundo livro, o escritor carioca confirma a distância que há entre sua literatura e a dos escritores da mesma geração. A maturidade da escrita e o diligente domínio das evoluções descritivas e dos personagens fazem de Cuenca, atualmente, um dos poucos escritores capazes de entender a importância da essência e dosagem exata dos detalhes na literatura.” – Renata Miloni – Le Monde Diplomatique Brasil [Jan. 2008]

“Romance de geração, O Dia Mastroianni reflete jovens de classe média, lotados de informações, de pretensões supostamente artísticas, porém quase sempre desertos de pensamentos originais e de projetos. Jovens sem destino, presos a uma adolescência que jamais termina. O autor sabe rir com eles, e também deles. Cuenca poderia cair na superficialidade de seus protagonistas, de seus patéticos personagens, mas não. No último capítulo, a narrativa em terceira pessoa, e a virada que faz entender por que ele é considerado um dos mais promissores escritores de sua geração.” – Mariane Morisawa – IstoÉ [06.11.2007]

 

CORPO PRESENTE (2003)

Corpo presente é o mergulho radical de um homem em suas obsessões. Seu narrador atravessa ruas, noites e mulheres em busca de um amor perdido ou impossível, uma Carmen que não é de ópera ou ficção, mas da Copacabana suja e sedutora, cenário claustrofóbico deste primeiro romance de João Paulo Cuenca.

Tragado pelas noites, ofuscado pelo sol, o protagonista vive um presente contínuo e tenso em busca de sentimentos para sempre perdidos num mundo cínico demais, violento demais, sexualizado demais. Idealista a seu modo, busca a pureza lambuzando-se com as precariedades que a vida lhe oferece.

Tal como os números primos que encimam os fragmentos do texto, os personagens de Corpo presente são divisíveis por eles mesmos e por um. O que João Paulo Cuenca propõe é um jogo de identidades sem vencedores ou perdedores, mas com uma regra rígida, a da escrita como forma de enfrentar a vida.

***

“Há um autor novo que gosto muito, o João Paulo Cuenca.” – Chico Buarque, em entrevista para a BBC de Londres/Set. 2004.

“O texto literário não é apenas o relato de uma experiência prévia; ele é a própria experiência. O “Corpo Presente”, de João Paulo Cuenca, está dizendo isso o tempo todo. Para quem quiser ouvir.” Bernardo Carvalho, Folha de S. Paulo [09.12.2003]

“O romance “Corpo presente” vem merecendo receptividade unânime da crítica e a leitura das primeiras páginas dão-nos a sensação de estarmos diante de um veterano, tal a segurança e o domínio do processo narrativo. Tal condição coloca esse escritor de 26 anos na posição confortável e promissora de um dos talentos de sua geração, alguém que não está preocupado em recorrer aos artifícios da linguagem palavrosa e etiquetada para impor a sua arte, mas fazer dela um espaço de questionamento do seu tempo e do seu lugar no universo.” Ronaldo Cagiano, O Estado de Minas [03.07.2004]

“O autor marca sua diferença em relação a outros escritores de sua ”geração”, impondo ao texto uma personalidade impressionante para um romance de estréia.” Flávio Carneiro, Jornal do Brasil [13.12.2003]

“Li “Corpo presente” de uma vez só. Fiquei muito encantado com a maturidade do texto. Escrito de forma precisa, vigorosa e sempre com muita paixão. É uma daquelas obras (cada vez mais raras hoje em dia) em que a gente sente logo que o cara “está falando de dentro”, que conhece os territórios que visita com a ficção, que esteve lá, enfim, sabe do que está falando. Fazia tempo que uma narrativa não me impressionava tanto. É um grande livro.” Marçal Aquino

“Corpo presente é um livro deslumbrante. João Paulo Cuenca é um autor jovem com uma semântica muito bem elaborada. Explora Copacabana e seus personagens no limite. Tomara que ele continue.” Marcelo Rubens Paiva

 

A ÚLTIMA MADRUGADA (crônicas)


A última madrugada BR
Considerado um dos jovens autores mais destacados da América Latina, João Paulo Cuenca presenteia os leitores com uma reunião de suas melhores crônicas, publicadas em jornais entre 2003 e 2010. Nelas, Cuenca narra fatos reais ou não, descreve pessoas, situações corriqueiras ou espetaculares e revela, entre uma linha e outra, pensamentos e crenças que moldaram sua visão de mundo. Em “A última madrugada” o leitor descobre, entre outras histórias, o drama de um garoto que não quer perder seus pensamentos e por isso teme morrer, um carnaval sem cores de alegria, os conselhos que Stendhal daria a um artilheiro do Flamengo, ou toda a emoção que um simples corte de cabelo pode carregar. A última crônica dá nome ao livro. Com a sensibilidade típica de seus textos Cuenca retrata com olhar surpreso, as maravilhas do cotidiano rotineiro que acabamos não enxergando com o passar do tempo.

[Leia um trecho do livro]

 

Contos (seleção)

– Sam no es mi tío: Veinticuatro crónicas migrantes y un sueño americano, New York: Santillana, 2012

– Americas Society Review: Literature and Arts of the Americas, No.83, New York: Routledge, 2011

– Words without borders, march 2011 issue, New York, 2011

– Liberdade até agora, Rio de Janeiro: Móbile, 2011

– 10 cariocas, Rosario: Ferreyra Editor 2009

– Missives – Nouvelles brésilliennes contemporaines, Paris: Société Littéraire 2008

– Revista Eñe, Madrid, Número 16. Invierno 2008

– Bogotá 39, Bogotá:Ediciones B 2007

– Cem melhores crônicas brasileiras, Rio de Janeiro: Objetiva, 2007

– Cenas da Favela, São Paulo: Geração Editorial, 2007

– Contos sobre tela, Rio de Janeiro: Pinakotheke, 2005

– Paralelos, Rio de Janeiro: Agir, 2005 – Prosas Cariocas (“Proses from Rio”), Rio de Janeiro: Casa da Palavra, 2004

– Paraty para mim, Rio de Janeiro: Agir, 2003

– Ficções No 9, No 10, Rio de Janeiro: 7 Letras, 2002