[Entrevista]Entrevista com Adriana Maiapor Anna WiltgenFórum Virtual: Quais foram suas impressões sobre a cidade de Garanhuns?
Adriana Maia: Garanhuns é uma cidade de veraneio nordestina que fica no agreste pernambucano bem acima do nível do mar e, portanto, de clima mais frio (clima de montanha) e agradável. É conhecida como a Suíça Pernambucana, tem uma série de pousadas, restaurantes de fondue, uma fábrica de chocolates maravilhosos (Sete Colinas) e uma rua (segundo o livro de recordes) que mais tem farmácias do mundo.
Fórum Virtual: Quais foram suas impressões sobre o Festival de Inverno de Garanhuns?
Adriana Maia: É um festival enorme com um público composto não só de Recife e Pernambuco, mas também de boa parte dos estados nordestinos vizinhos. O festival está na sua 16ª edição e se trata de um festival de todas as artes: são 130 atrações musicais, 31 grupos de cultura popular, 28 espetáculos de dança, 14 peças teatrais, 9 concertos de música erudita, 6 espetáculos circences, 28 filmes, 5 mesas literárias, 6 instalações de artes plásticas, além de 23 oficinas culturais. Tudo isso acontece ao longo de 10 dias.
Fórum Virtual: Como foi a participação de Fazendo Ana Paz no festival?
Adriana Maia: O espetáculo Fazendo Ana Paz foi convidado para abrir a mostra de teatro do festival e apresentou-se na sexta-feira (dia 21/7) e no sábado (dia 22/7) no Teatro Luís Souto Dourado que fica dentro do Centro Cultural Alfredo Leite Cavalcante. Todo este centro cultural e, incluindo o seu teatro, foi montado na antiga estação de trem de Garanhuns. A platéia é toda de bancos desta antiga estação, o palco é de formato italiano e tem capacidade para 500 pessoas. Nosso espetáculo foi assistido no primeiro dia por cerca de 350 pessoas e no segundo dia lotou.
Fórum Virtual: Diz-se que “o teatro não se basta mais no drama e passa a teatralizar obras de ficção. Assim, o teatro contemporâneo procura uma expressão textual que ultrapasse as fronteiras do drama, como se o mesmo não conseguisse mais expressar tudo o que o teatro quer expressar. A tendência é a transformação da literatura em dramaturgia”, como afirma Patrícia Flores em crítica sobre Fazendo Ana Paz para a sessão Em Cena deste fórum. Como surgiu e por que a idéia de colocar em cena o livro de Lygia Bogunga?
Adriana Maia: Resolvemos encenar o livro Fazendo Ana Paz, primeiro porque gostamos muito de trabalhar com literatura não-dramática. A literatura não-dramática abre uma infinidade de possibilidades no jogo dos atores e da cena. Podemos trabalhar melhor com a questão do ator épico (ou narrador) que é o tipo de linguagem que a gente aprecia. Nos tornamos de alguma forma contadoras de histórias ou como a escritora mexicana Clarissa Pinkola, cantadoras de histórias. Em segundo lugar, porque como artistas de teatro, procuramos contar boas histórias para o público. A história de Ana Paz nos pareceu perfeita para o público que gosta de ouvir histórias, pois como diz esta mestra de contadora de histórias Clarissa Pinkola, contamos histórias quando somos convocados por elas, não ao contrário.
Fórum Virtual: Entre duas temporadas cariocas, foi introduzida mais uma atriz na encenação. O que essa mudança significou? Como foi o processo de remontagem em um novo formato?
Adriana Maia: Desde que começamos a ensaiar (eu e Dadá) sabíamos intuitivamente da necessidade de uma terceira atriz. Tanto é que na primeira montagem resolvemos a necessidade do jogo a três com bonecos. Acho que agora o espetáculo está enxuto e muito mais comunicativo. Com a entrada da terceira atriz vários pontos obscuros do texto foram iluminados em cena, personagens que eram pincelados (em função de uma rápida troca) agora estão muito mais humanizados e desenvolvidos. O espetáculo só ganhou com esta mudança de jogo.
Fórum Virtual: Vocês têm perspectivas futuras para a peça?
Adriana Maia: Estamos aguardando alguns contatos e respostas numa tentativa de voltar ao cartaz. Pode ser que isto aconteça ainda este ano.
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