[Entrevista]Entrevista com André Laurentinopor Ana Paula Fernandes
ária de Paraty, Ana Paula Fernandes, nossa enviada especial, entrevistou o escritor André Laurentino, participante da mesa “Invenções do Interior”.
André Laurentino, de 34 anos, lançou em 2005, pela editora Agir, seu primeiro romance: A paixão de Amaro Amâncio. Forte e inovador, o romance tem um mérito incomum na prosa dos jovens autores: o de criar personagens. E que personagens!
No autor, o perfecionista da escrita, exigente e profissional, convive - aliás bastante bem - com o doce Dedé. Como mostra a entrevista, não é difícil imaginar porque este pernambucano seduziu Paraty.
Ana Paula – Qual a sua formação?
André Laurentino – Minha formação é em propaganda, pela Universidade Federal de Pernambuco. Mas, eu só fiz meia faculdade porque apareceu uma proposta de estágio, e depois virou proposta de trabalho. Eu também era professor de inglês. Me formei professor na Cultura Inglesa e depois passei seis meses na Escócia. Eles ajudavam com duzentas libras, toda essa fortuna, e meu pai, funcionário público arcava com o resto. Eu sou filho único, ele podia fazer isso. Então, eu devo a ele uma mudança radical na minha vida que foi essa viagem para a Escócia, onde eu obtive o diploma do Proficiency da Universidade de Cambridge.
Ana P. – Quantos anos você tinha?
AL – Eu era muito jovem, tinha 16 anos. Voltei e continuei dando aula na Cultura Inglesa, e trabalhava na Rádio Cidade como redator do departamento de publicidade. Cliente pequeno que não tinha dinheiro para pagar agência fazia anúncio na rádio direto: “Pensou livraria, pensou fulano de tal”, minha produção era nesse nível.
Ana P. – Mas, como você deixou de trabalhar na rádio para ser diretor de arte?
AL - Na rádio eu fazia uns desenhos para mala direta, para cartinha, e quando eu fui para a primeira agência procurar estágio eu coloquei todas as opções, até cartão para namorada tinha, porque eu não tinha experiência. A diretora de criação, que é minha madrinha literária, a Adriana Falcão, disse: “Redator já tem aqui, mas, para diretor de arte tem vaga.”
Ana P. – Você estava cursando a faculdade?
AL – É. Eu fui ficando e gostei. Tem até um poema do modernismo brasileiro que diz assim, “Quando o português chegou / debaixo duma bruta chuva / vestiu o índio / Que pena! / Fosse uma manhã de sol / O índio tinha despido o português.” E foi isso, tinha uma vaga para direção de arte e eu fui, era aquilo que tinha. E eu tive muita dificuldade em aprender isso porque não era fácil, mas, eu queria virar publicitário. Depois, fui para São Paulo, fiquei 10 anos em direção de arte, sempre querendo escrever, mas não fazendo isso até depois de 10 anos em SP, com a carreira mais sólida, a duras penas construída. SP não é uma cidade fácil, não tive pistolão, tive sorte. Era perigoso arriscar tudo isso. Mesmo assim, deixei a direção de arte em 2003 para virar redator, para me dedicar à palavra. Antes de tomar a decisão, passei um ano difícil, meio deprimido: ia jogar tudo para o alto.
Ana P. – Foi rápido... Faz pouco tempo.
AL – Faz bem pouco tempo... Eu acho que tinha uma tal demanda reprimida dentro de mim por escrever, que eu mergulhei numa montanha russa. Depois de tomar a decisão foi bom, antes foi horrível.
Ana P. – Literatura, você já escrevia antes?
AL – Escrevia para mim, poemas, essas coisas, mostrava para os amigos. Eu sabia que era difícil, você tem que ter a coragem... O primeiro poema do Ferreira Gullar não foi uma coisa brilhante, genial, ele só teve a coragem de se inventar poeta, como ele sempre diz. Ele tem um preceito estético que leva para a vida e é sensacional, a invenção. Hoje ele falou: “Essa invenção que é a realidade em que vivemos”. Eu fiz um curso com ele em São Paulo, recentemente, na Casa do Saber e ainda dei carona para ele umas três vezes. Tenho um monte de livros autografados porque eu enchi o saco dele. Eu sou fã do Ferreira Gullar, eu adoro. Ele quis dizer com isso, dentre outras coisas, que a gente inventa nossa vida, cabe a nós inventar. Ele se inventou poeta.
Ana P. – E nada tem significado...
AL – Na natureza não existe significado. Tudo o que não é natureza foi criação do homem. Bicicleta, tijolo, poeta. Você tem que ter a coragem de querer se inventar aquilo. Como a vida tinha me inventado diretor de arte, não foi uma invenção minha, embora tenha sido uma gentileza da vida, eu não vou cuspir jamais no prato que eu comi, isso é muito feio. A vida me sorriu e eu sorri junto: eu disse, agora quero eu mesmo ter as rédeas. E eu quis então me inventar um homem que vive de palavra, não posso dizer escritor, porque eu trabalho com propaganda e essa é minha atividade principal.
Ana P. – Você escreve poemas também?
AL – Poema é um departamento tão complicado, tão difícil... Eu escrevi um para a minha filha um que eu acho bonito, depois de ver o primeiro ultra-som dela. Mas, é uma coisa que eu acho bonito porque ela é minha filha e eu sou o pai dela. Tirando esses dados estranhos ao texto, o paratexto, se for fazer uma leitura cerrada do poema, não vai valer a pena.
Ana P. – De que forma recitar poemas hoje em dia e não ficar soar cafona, blasè?
AL – É muito difícil. O que disse o Ferreira Gullar hoje faz muito sentido. Se o poeta se atém ao sistema de linguagem, ele faz uma poesia que não transcende e se o poeta desorganiza esse sistema demais, ele não é compreendido, e o que ele sentiu não passa para o leitor. Comunicação não é o que você diz, mas, o que os outros entendem. O Davi Arrigucci, no livro Humildade, paixão e morte, sobre a obra de Manuel Bandeira, analisa um poema que o Bandeira não sabia se era poema, ficou anos na gaveta, chamado “Poema só para Jaime Ovalle”. Não tem aparentemente nada de poético nele, e no entanto, o Bandeira sentia que de algum modo isso é poético (é igual ao “Denorex”, tem gosto de remédio, tem cheiro de remédio, tem cor de remédio, mas, não é remédio!). A análise do Davi mostra que esse é sim um poema. Olha quanta complicação quando o próprio poeta duvida, e alguém da grandeza do Manuel Bandeira, já em pleno domínio técnico. Poesia é muito difícil, conseguir identificar a voz daquele autor. Daí, os grandes críticos como Antonio Candido, Otto Maria Carpeaux, terem identificado rápido o surgimento do João Cabral de Mello Neto, da prosa poética de Clarice Lispector. Terem sido rápidos em identificar que ali tinha qualidade. Isso na opinião imbecil de André Laurentino, eu não sou teórico, não sou intelectual. Voltando... Em 2003 eu virei um homem que vive de palavra.
Ana P. – Aconteceu rápido, a publicação do seu livro é de 2005.
AL – Eu não teria no meu sonho mais louco, mais presunçoso, mais ambicioso, sonhado o que de fato aconteceu. Depois de largar a direção de arte, eu participei da Oficina Literária da FLIP 2004, já trabalhando no romance, e no fim dessa mesma FLIP, Paulo Roberto Pires teve a insensatez de me contratar para publicá-lo. No ano seguinte, o livro já estava entregue à Agir. O Raimundo Carrero, que era o professor da Oficina na FLIP 2005, pediu para analisar um trecho nas aulas e foi uma honra, tanto é que eu mexi no trecho depois. E falei pra ele: “Carrero, fiquei sem dormir. Você apontou uns defeitos na aula que me fizeram pensar que o quê eu achava pronto agora não está”. E fiquei a noite em claro, ali mesmo eu rabisquei e mostrei para ele que ficou satisfeito. Isso foi na FLIP do ano passado, agora estou aqui como convidado. Foram três anos depois da mudança de carreira. Isso tem um significado que não dá romance porque é uma história tão bonita e açucarada, eu vou ter que pegar alguma coisa mais problemática.
Ana P. – Você também escreveu para TV...
AL – Eu comecei fazendo um projeto que não vingou, mas foi uma delícia ter participado. O Guel Arraes e a Adriana Falcão quiseram fazer um seriado com “O Auto da Compadecida”. A Adriana queria me levar para a televisão, achava que eu escrevia algumas coisas engraçadas, que eles estavam precisando. Antes disso, nos Quinhentos Anos do Brasil, a Globo tinhas uns “programetezinhos” de três minutos, que tratavam a história do Brasil de um jeito popular. A Adriana e o João começaram, mas, estavam sem tempo e passaram para mim e foi uma delícia trabalhar com a Maria Eugênia. Essa foi a primeira experiência em TV. Depois veio “O Auto da Compadecida”, que ia virar seriado, mas, o Ariano Suassuna vetou: “Vocês estão fazendo com os personagens coisas que eles jamais fariam”. O projeto morreu, mas, nasceu a experiência. Os roteiros existem, aprendi muito e ficou a amizade. Depois veio o programa “Sexo Frágil”, eu escrevi os roteiros junto com a Adriana, João e um monte de gente.
Ana P. – Eu visitei a sua cidade em 2004. Você nasceu em Olinda?
AL – Nasci em Recife, no Hospital Militar, porque em Olinda a maternidade estava fechada. Mas, morei em Olinda os vinte e um anos que passei em Pernambuco.
Ana P. – E você sente alguma estranheza por ser de uma cidade menor, em relação às pessoas, ao meio literário?
AL – Ao meio literário não por esse motivo. Eu gosto muito de me informar, de estudar. Eu me sinto às vezes estranho, no meio literário, porque eu acho - é uma noção errada - que todo mundo leu todas as teorias, conhece tudo e eu que estou por fora. Eu só me sentiria com o “ingresso na mão” se eu tivesse feito meu dever de casa, como eu gostaria de fazer, o que toma muito tempo, é uma carreira.
Ana P. – Isso é um ideal, acho que todos devem se sentir assim. Mas, existe uma afetação nesse meio que me incomoda um pouco, mais até no teatro que na literatura...
AL – Afetação tem em todo os meios. Mas, o que eu digo é porque eu tenho amigos que são do meio e conhecem o assunto e têm paixão, como Samuel Titan, Milton Hatoum e nas conversas eu fico abismado com a minha própria ignorância. Isso é o que me incomoda e me faz estranho; não o fato de ter nascido em Olinda.
Ana P. – Eu nem quis dar esse sentido para o nascimento em Olinda, mas, eu acho que tem uma coisa diferente no Nordeste, no tratamento das pessoas, no modo de vida. É uma cultura muito diferente do Rio de Janeiro, eu me senti muito à vontade lá. No geral, pessoas muito talentosas que não tem essa arrogância da metrópole...
AL – É curioso você observar isso. Mas, o pernambucano é o mais arrogante dos nordestinos. Isso vem do apogeu, no ciclo da cana-de-açúcar, o estado ficou muito rico.
Nossa arrogância diz que Pernambuco é onde o Capibaribe e o Beberibe se unem, para juntos formar o Oceano Atlântico... Eu também sou arrogante, mas eu domo o pequeno André”, citando Ubaldo Ribeiro. Então, eu tenho uma outra leitura para isso. Em uma das mesas sobre memória alguém falou: “Esse livro não é sobre mim, é a partir de mim”. Quando o pernambucano conta essa piada do Atlântico, se refere à arrogância pernambucana, mas, lançando um olhar mais gentil, seria dizer que Olinda me deu o jeito olindense de ver o mundo. E quando eu vejo o oceano a partir do meu ponto de vista, da minha aldeia, aqueles dois rios formam o marzão. Quando eu cruzar aquele marzão, se eu for a Portugal, à África, à Europa, eu terei sempre a referência de que tudo aquilo começou naqueles meus dois rios. É como aquele poema do Camões sobre o Mondego. Eu fico bobo de saudades de Olinda.
(...)
Eu segurei muito o choro no nascimento da minha filha. Ela nasceu no dia do lançamento do livro, nós estávamos comemorando no bar quando a bolsa rompeu. O nome dela é Rosa. Depois de fazer o curso com o Davi Arrigucci sobre o Grande Sertão: Veredas, passei a ler o livro com outros olhos, foi revelador. O nome, que já tinha sido escolhido, ficou em homenagem também ao Guimarães Rosa, à minha vizinha que se chama Rosa, de quem eu gosto muito. O Davi é um grande crítico, ele e o Antonio Candido estão entre os maiores críticos vivos. A próxima mesa, com José Miguel Wisnik, será uma aula sobre Machado de Assis. Eu vou fazer um curso em quatro aulas, sobre o mesmo assunto, com ele.
Ana P. – O que você costuma ler e quanto? Qual a sua relação com a leitura?
AL – Eu leio menos do que devia, porque a vida atribulada de propaganda me dá muito pouco tempo. E agora, com a Rosa, eu leio menos ainda. Tenho lido sobre o Chiquinho e o Patinho que não gosta de tomar banho, dos dois livros que ela tem. Mas, o que eu gosto de ler é para me formar, alguns clássicos. Em Recife eu tinha mais tempo para isso. Li muita coisa para a FLIP, para me preparar e ver as mesas. Para escrever o livro eu me preparei muito. O Davi, nas aulas, ia citando nomes de críticos e eu anotava, depois perguntava como se escrevia, pesquisava no Google. O Davi dava o caminho das pedras... O professor não faz o aluno, mas, é essencial para que o aluno se faça. Ele me deu uns livros, como Teoria do Romance, de Georg Lukács, um livro difícil, tem o Walter Benjamim. Eu comprei um monte de livros para ler. Sou apaixonado por teoria. Os livros de análise do Davi sobre a obra do Drummond, do Bandeira são maravilhosos. Eu vou lendo espaçado. Paulo Mendes Campos, grandes poetas. Também escrevo as crônicas do “Guia do Estadão”, junto com Antonio Prata e Ricardo Freire e tenho o prazer em ler os grandes cronistas brasileiros, Antônio Maria, Rubem Braga, Fernando Sabino, eu vivo lendo estes. E li também muito Shakespeare. Um dos meus primeiros contatos com literatura foi quando um padre irlândes, que me apresentou também ao Graham Greene, me mostrou a literatura inglesa. E eu fui atrás e li um monte de coisa.
Ana P. – Pode-se dizer que você é um autodidata... Como você mesmo disse, algumas escolhas a vida faz para você, outras são suas...
AL – Exatamente. Outro autor que eu li foi o E.M. Foster, os livros de ficção e uma conferência, chamada “Aspectos do Romance”. Li muitos livros sobre técnica de construção de roteiro para cinema, porque eu queria fazer um livro que não fosse fechado demais, no sentido de ser inacessível ao leitor. Tinha que ter um cheiro de diversão.
Ana P. - É muito poético.
AL – Tem sim um carinho com a linguagem.
Ana P. – Eu observei nessa FLIP que os autores estão mais cuidadosos com a linguagem, preocupados com a estruturação.
AL – Na verdade, tudo isso é técnica, e é também saber camuflar a técnica. Essa é a magia.
Ana P. - Mas nem a temática está sendo tão importante quanto a maneira de colocar as palavras, a construção, a escolha dos vocábulos...
AL – Perfeito.
Ana P. – Eu queria que você falasse mais sobre o conflito do romance, que você citou na mesa.
AL – É um conceito do Hegel, o confronto entre a poesia do coração e o prosaico das circunstâncias, da realidade. Frente a esse problema, que não tem solução, o conflito nunca será resolvido. O que pode haver, no máximo, é uma aproximação entre como eu desejo que as coisas sejam e a realidade de como elas são. Quanto maior esta aproximação, mais bem resolvido será o conflito e isto jogará uma luz sobre a experiência do herói do romance, dando um certo sentido para sua vida. Muitas coisas eu fui lendo e aprendendo durante a escrita. Algumas estavam inconscientes, porque já estavam no livro, outras estavam na minha cabeça, mas, faltava o fio terra da informação que faria a idéia se cristalizar. De modo que a história do livro são os conflitos internos dos personagens que têm o sentimento de inadequação, como todo o personagem tem que ter, o estado de desacordo. E aí, tentar achar um sentido para vida e um jeito de viver melhor no mundo. Citando mais uma vez o Ferreira Gullar, isso é a invenção. O personagem vai ter de achar um jeito de inventar um mundo mais adequado a ele. A vida sem fantasia não vale a pena. Tem que ter prazer.
Ana P. – Ou só o prazer primitivo, algumas pessoas se satisfazem com isso...
AL – Tem, e eu acho um mérito. A mediocridade como busca... Tem até um poema do Fernando Pessoa que diz isso: “Só quem puder obter a estupidez ou a loucura pode ser feliz. Buscar, querer, amar. Tudo isso diz perder, sofrer, chorar vez após vez. Nunca, aos loucos o engano se desfez. Com quem, um falso mundo seu condiz. E a estupidez, obteve sempre o que quis, do ciclo banal de sua avidez”. O cara que é estúpido quer pouquinha coisa... Então, Pessoa defende a loucura ou a estupidez como as únicas possibilidades de ser feliz. O louco vai viver sempre naquele engano, vivendo dentro do sonho, do seu desejo, situação resolvida, equação equilibrada. E o estúpido, como quer muito pouco, consegue o círculo banal de sua ambição. Mas, o personagem que está querendo encontrar um sentido para a vida já tem um problema. Isso é só um mote. A química e a alquimia de um escritor estão em criar essa história que é a estrutura de muitos e muitos romances. Então, não há um encantamento pela estrutura em si. O esqueleto da Gisele Budchen é o mesmo esqueleto de uma menina que não seja tão linda, mas, os encantos que você vai expor apoiados nessa mesmíssima estrutura é que farão diferença. A técnica tem que servir para a arte e não para ser técnica e aparecer no romance.
Ana P. – Quando você construiu o livro primeiro pensou nos personagens e depois no que eles queriam dizer, não foi isso? Como começar?
AL – Na verdade ninguém sabe. Quando eu achei que eu tinha começado o livro, a Ruth Lanna leu os originais e conversou comigo. Não era um livro, e sim uma descrição de três personagens, não tinha uma cena. Era tudo sumário. Esse era o primeiro problema, eu tinha que criar as cenas. E os personagens foram ganhando, a partir daí, alma e corpo. Quando eles viram gente é fácil andar. Eu fui dando alguns motivos para que os conflitos se materializassem em alguma coisa externa, para que o leitor tivesse acesso. Um trabalho de pensamento. O que cada um quer?
Ana P. - É um trabalho de ator.
AL – As perguntas são as mesmas. Há, inclusive, uma pesquisa criativa, de fazer perguntas às personagens, para conhecê-las melhor. O que as irrita, o que dá prazer, de que gostam, relação com pai, mãe, etc... A arte seria descobrir quais cenas revelariam estas pessoas com mais mágica e encanto, quais ações transcenderiam a própria ação. Porque não existe obra de arte sem transcendência. Deixamos aí a técnica de lado e entramos nos quesitos que a alma humana desconhece, graças a deus. Alquimia pura, fazer a palavra voar. Nesse livro tem peripécias, e os personagens vão querendo resolvê-las. Enfim, o papel do escritor é dar aos leitores o que eles precisam, um alento para que nosso incômodo interior ganhe a ilusão de poder ser resolvido.
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