[Entrevista] Entrevista com Lya Luft por Julia Valentini Fórum Virtual: Lya, geralmente as livrarias posicionam seus livros nas seções de auto-ajuda. Mas você mesma diz que seus livros não são de auto-ajuda. Lendo seus textos mais recentes, principalmente "Perdas e Ganhos", fica-me uma pergunta: seria a sua literatura um tipo de Filosofia? Porque, afinal, você escreve sobre o seu tempo, são suas impressões sobre esse tempo que você vive.

Lya Luft: Nunca vi livro meu em seção de auto-ajuda em livraria do país, e se vejo algo assim, morro de rir, seria um livreiro muito burro. Meus livros são romances.O Perdas&Ganhos é o que se chamaria de ensaios morais (não moralistas), no fundo uma filosofia,sim,você tem razão. É ensaio não acadêmico, pois trata de ética, sentido de vida, morte, relações humanas, drama existencial...

Fórum Virtual: Você é hoje uma autora consagrada, tem seu espaço, imagino que deve ter facilidade para publicar seus textos. Mas e no começo? Foi fácil publicar?

Lya Luft: Comecei como todo mundo, jovem,publicando poesia em suplementos literárias,vencendo um concurso estadual aqui,publicando um livro no instituto estadual do livro do Rio Grande do Sul,depois outro numa pequena editora local, fazendo crônica de jornal, traduzindo muitos anos etc.

Aos 40, o primeiro romance, na Nova Fronteira, do Rio, que foi um sucesso, e ai estava aberto o caminho. Não foi fácil, mas cedo entendi que era assim: humildade, seriedade, tranqüilidade. Literatura é arte, não ganhar dinheiro.

Fórum Virtual: Essa pergunta leva-me a outra: há diferença entre o cenário editorial de quando você começou e o de hoje? O que você acha da dificuldade dos autores que estão surgindo hoje e encontram dificuldade para publicar?

Lya Luft: Hoje é muito mais fácil: mais editoras, mais profissionalismo. Antigamente era tudo muito mais elitista e mais concentrado. Nunca me interessei muito por esse aspecto; escrever pra mim é exercer minha arte, isto é: algo fechado, recolhido, sério, tranqüilo, sou tímida, aliás, eu não gosto de badalação, exposição, jamais vou a coquetéis, vernissagens, raramente a lançamentos. O momento passageiro de agitação, agora, é fugaz, e nada tem a ver com a minha arte, mas com talvez, o encontro do que há de "filosofia" em toda a minha obra. Isto é, questionamento, e a necessidade do leitor atual. Nada mais.