[Inéditos]Seis poemas de Diana de Hollandaignoro o dia de hoje.
correria urgindo liberdade
mas não consigo me apagar de mim.
quebrassem os relógios do mundo
inexistisse tempo-espaço
inda assim haveria tiquetaquear intenso
ruflando no peito como asa de beija-flor.
conformo-me.
não-conformistas são chatos demais.
acreditam-se ser
e são, dentre eles, não-nulos.
mesmo quando me saboto, estou a meu favor. minto para qualquer um dos lados. sim ou não é a mesma besteira. o tipo de prazer, doído ou não, que é diferente. o prazer não doído dói também, perco tempo mentindo. perderia o tempo de qualquer maneira, não perco nada.
permite-me ser um gênio não-verbal.
que eu me sente devagar e te olhe calado.
permite-me ser não-combatente
não-engajado não-essencial.
que em tua não-intervenção eu seja sem esforços;
despreocupado com o não-poder
e a linearidade das minhas não-contradições.
este rio dedilha a alma de deus
e despedaça a paz que nunca houvera.
este rio é cais não visitado
pelo oceano findo da voz dela.
este rio risível ri de mim.
e eu não me encontro longe de seus braços
girando círculos em descompasso
pois este rio me desfaz enfim.
os apelos eram flores e nem assim
pude privar-me de um não-sofrer pálido.
Diana de Hollanda nasceu no Rio de Janeiro em setembro de 1984. Teve seu trabalho publicado nas coletâneas Contos do Rio (Bom Texto, 2005), Contos sobre Tela (Pinakotheke, 2005), e também em revistas como Poesia Sempre (Biblioteca Nacional) e Inimigo Rumor (Cosac Naify/Sette Letras). Você a encontra em www.candeiadevento.blogger.com.br.
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