



28/05/2011
Entrevista com a atriz Camila Rhodi, idealizadora da performance-instalação "A dona do fusca laranja".
por Priscila Fialho
Dramaturgia: Jô Bilac
Direção: Fábio Ferreira
Concepção: Camila Rhodi, Fábio Ferreira e Jô Bilac
Performance: Camila Rhodi
Priscila Fialho - Como surgiu a ideia de transformar o roubo do seu fusca em uma performance teatral?
Camila Rhodi - A ideia da performance já vem antes do seu roubo. Eu tinha um fusca laranja e tinha tantas historias com ele que queria compartilhar, assim dirigindo pela cidade, com as pessoas bem próximas, aproveitando a beleza do Rio.
P - Como foi a construção da dramaturgia do espetáculo, ou seria uma performance?
C - Eu tinha escrito algumas historias do fusca e enviei para o Jô e para o Fábio. Quando começamos o processo eu saía com o Fábio de fusca pela cidade, contando essas histórias e era tudo gravado. Também apresentavas pequenas performances para o espaço de ensaio. íamos juntando o material e enviando para o Jô que ía escrevendo aos poucos.
P - Como foi o diálogo com o diretor Fábio Ferreira durante o processo?
C - O Fábio é muito generoso, me trouxe muitas referências de performances e artes em geral do mundo todo. Conversávamos muito sobre esses trabalhos, discutíamos, entrávamos em empasses várias vezes, brigávamos, nos entendíamos... até chegarmos com o tempo em um ponto em comum. Até hoje estamos em processo, mudando a cada dia as performances.
P - Como é a reação do público?
O que eu ouvi de mais bonito até agora foi: " O seu íntimo encostou no meu. Muito Obrigada" Já teve um rapaz também que não parava de chorar, me esperou para falar e nem conseguia... mas deve ter gente que deve achar chato, uma mulher falando sem parar dela mesma (risos).
C - No fusca, sinto que as pessoas se sentem na sua maioria super a vontade e com o tempo até o mais quieto acaba deixando escapar algo íntimo dele, como um rapaz que não falou nada até suspirar e dizer "é... eu acho que já me fiz de alma gêmea para muita mulher..." fiquei surpresa com o comentário inesperado daquele homem calado que só ouvia as minhas histórias com os depoimentos das outras duas mulheres que faziam parte da platéia.
P -Se vc fosse responder a pergunta que o dramaturgo Jô Bilac faz na carta, o que vc diria?
C - Sempre penso em falar de mim para falar dos outros. Parto da simplicidade da minha própria vida para tocar no outro. E é essa a minha viagem. Às vezes consigo retorno de algumas pessoas e percebo que chego onde quero sim, mas devem ter pessoas que devem achar um saco essa egotrip (risos).