agosto/2011 Entrevista com o dramaturgo Jô Bilac por Priscila Fialho
Uma rápida entrevista com o autor vencedor do prêmio Shell de 2011, que escreveu as peças: "Cachorro", "Savana Glacial" e "O Gato Branco" , entre outras.

Priscila Fialho - O que tem te estimulado, te instigado a escrever ultimamente?

Jô Bilac - O desafio de redimensionar as nossas questões para uma obra de arte. Mensurar a linha tênue entre o real e o fictício.

P. F. - Como você lida com as diferentes adaptações dos seus textos para o teatro?

J. B. - É sempre uma surpresa e disso sobrevive o meu ofício, dos encontros. Costumo dizer que tenho muita sorte, principalmente por conta dos parceiros que dividiram comigo suas fantasias sejam elas de alegria ou de dor.

P. F. - Como você enxerga o cenário atual para o jovem dramaturgo no Brasil, e principalmente, no Rio de Janeiro?

J. B. - Melhor do que antes, sem dúvida. Existe uma política favorável a descoberta de novos talentos na dramaturgia nacional. Concursos, editais, a própria mídia, voltados para isso. É claro que sobreviver de escrita em um país como nosso é árduo, mas não é uma realidade que se restringe apenas ao Brasil. Há muito o que se fazer ainda. Teatro é difícil em toda parte do mundo, e por amor a essa arte que abrimos guerra, a doce guerra nos palcos.

P. F. - É possível já fazer um balanço da sua carreira como dramaturgo? Avaliar erros e acertos?

J. B. - É um pouco precoce pensar nisso, tenho apenas cinco anos de carreira e penso que tenho aprendido e me desvirado a cada tempo que passa. Agradeço aos deuses do teatro. Certo e errado na nossa profissão é tão subjetivo, que certo mesmo é a vontade genuína de se transpor com toda sinceridade em cada linha que escrevo.

P. F. - Teria algum texto seu pelo qual você possui um carinho especial, se sim qual seria?

J. B. - Todos os textos têm o seu valor, pois faz parte de um momento íntimo específico que você torna público, em outras palavras, mas aquele momento está lá. Gosto muito de "Rebu" pois encaro como uma homenagem minha à língua portuguesa, que é uma língua rica e encantadora. Cada palavra que está nesse texto foi pensada por sua beleza, impacto e verdade. Foi em "Rebu" que percebi que dá pra fazer magia com as palavras.

P. F. - Se pudesse fazer um pedido em causa própria hoje, pelo dia do escritor, qual seria?

J. B - Uma politica que criasse uma ponte firme entre os escritores e o público. Seja nas escolas, ou até mesmo em mais editais que favoreçam a distribuição desses livros. A parceria das editoras com o governo, sem malandragens, seria fantástica. Bom, sonhar, não custa nada...

Entrevista com o dramaturgo Jô Bilac feita em 25/07/2011
Entrevista com o dramaturgo Jô Bilac por Priscila Fialho Entrevista com J.P Cuenca por Diana de Hollanda Entrevista com Daniela Amorim, diretora artística do projeto_ENTRE Entrevista com o Contador Borges Entrevista com Paulo Scott Entrevista com Michel Laub Entrevista com Tony Monti Entrevista com Ramon Mello Entrevista com Virna Teixeira Entrevista com o escritor Luiz Ruffato Entrevista com o escritor Ferréz Entrevistas com Malu Galli, Marina Vianna e Mariana Lima sobre a peça A Máquina de Abraçar Entrevista com Alexandre Rudáh sobre a montagem Na solidão dos campos de algodão Entrevista com Jefferson Almeida, aluno do curso de Teoria do Teatro, da UNIRIO Entrevista com Daniel Galera Entrevista com Walter Daguerre Entrevista com Diana de Hollanda