março/2010 Entrevista com o escritor Luiz Ruffato por Daniela Amorim
foto de Adriana Vichi
O autor de Estive em Lisboa e lembrei de você fala da criação deste último livro, do início de sua história como escritor, de sua relação com o mercado de literatura.

Entrevista feita durante o II Conexoes Itaú Cultural - Encontro Internacional de Literatura Brasileira, evento produzido pelo Itaú Cultural em parceria com o Fórum de Ciencia e Cultura da UFRJ em dezembro de 2009.

Daniela Amorim - A música da fala mineira é muito presente em Estive em Lisboa e lembrei de você, e depois a crescente incorporação de palavras e expressões do português de Portugal. Ao participar da coleção Amores Expressos, porque você escolheu levar um mineiro da sua cidade, Cataguases, para a cidade de Lisboa, e trabalhar os sotaques e diferenças desta maneira?

Luiz Ruffato - Esse livro, primeiro, ele nasce de uma encomenda. Quando, em 2006, no Carnaval de 2006, me foi feita a proposta de participar do projeto, na hora, eu falei que se pudesse ir a Lisboa, eu queria.Por que? Porque eu faço uma literatura bem programática. A partir de Eles eram muitos cavalos de 2001, eu venho construindo uma série de romances que fazem parte do Inferno Provisório. Eu tenho quatro volumes publicados, vai ter mais um no ano que vem. E, além dele, mais um livro chamado De mim já nem se lembra, e todos eles fazem parte da mesma idéia de projeto. Qual é a idéia que tem por trás? A idéia é a seguinte: a de reconstruir a história do Brasil nos últimos cinqüenta anos.O Inferno Provisório começa na década de cinqüenta, com o Mamma, son tanto felice, que é exatamente o exodo rural, quando se começa a sair do campo para a cidade de uma maneira mais efetiva, depois passa para a década de sessenta, que é o início da industrializaçao forte mesmo; a década de setenta, que é sobre a ditadura, aquele projeto de transformar o Brasil a qualquer custo em um país industrial, enfim, ele vai caminhando na direçao das décadas de oitenta e de noventa. E o que acontece na década de noventa? No final da década de oitenta nós temos um grande crash na economia brasileira, e nós, de país importador de mao de obra, passamos a um país exportador de mao de obra. E, como em algum momento, eu iria trabalhar esta idéia, porque ela faz parte deste projeto literário, eu falei, bom, essa é a oportunidade que eu tenho de fazer isso de uma vez. Entao para mim foi muito natural pegar um personagem, que é um personagem da minha cidade, Cataguases, e tentar entender como ele se comportaria num lugar estranho que, segundo ele, nem a mesma língua fala, porque ele nao reconhece aquilo como a mesma língua dele. Entao qual foi o trabalho que eu tive? Na verdade, eu acho que o meu trabalho literário, ele se comporta dessa maneira, ele é um projeto de corpo inteiro, nao é um projeto de cabeça. Entao, quando eu escrevo, eu escrevo com a pele, com os ouvidos, com os olhos, com o nariz. E aí eu fui para Lisboa, passei um mes lá, eu já conhecia bastante bem a cidade. Nesse mes que eu passei lá eu tentei entender um pouco como funcionava a Lisboa dos imigrantes, mas ainda assim, nao fiz nada. Depois que eu voltei, ainda terminei o quarto volume do Inferno Provisório, que é o Livro das Impossibilidades. Só depois de bastante tempo convivendo com o personagem Serginho, que entao eu me sentei e deixei que ele contasse a história dele pra mim, como se eu realmente tivesse gravado aquela história com o gravador, como se na verdade, eu simplesmente tivesse decupado essa história. E pra mim foi muito fácil, de certa maneira, reconstruir o Serginho, porque ele é um personagem muito próximo de mim. De alguma maneira, eu também falei um dia daquele jeito, de alguma maneira, eu penso talvez daquela... Porque a linguagem nao é só o que está externamente ali, é uma estrutura mental, é o ponto de vista, é uma visao de mundo. Entao, o que eu tentei ali foi recuperar essa visao de mundo de um mineiro de Cataguases, de um cara que pouco saiu dos limites da regiao dele, e que tem uma visao muito ingenua da vida, uma visao muito positiva da vida. E que, quando ele, até de uma maneira fortuita, nao foi nem uma opçao, quase que ele vai empurrado, quando ele chega em Lisboa, vira aquele imigrante, e que aí é um imigrante como qualquer um, e que precisa sobreviver. E o imigrante que precisa sobreviver, ele acaba tendo um comportamento antropofágico, ele precisa de alguma maneira ser reconhecido. E o que acontece com o Serginho é isso, na segunda parte, ele vai incorporando um novo vocabulário que ele vai ouvindo, as vezes até de uma maneira absolutamente inconsciente, e outras vezes consciente, para que ele possa entao ser aceito, para que ele entao possa passar a fazer parte daquela nova paisagem, a qual ele nao sabe quanto tempo ele vai - ou até mesmo o resto da vida -, ele vai ter que conviver com ela. Entao, pra mim foi muito fácil nesse sentido, eu tinha muito claro como ia ser essa passagem.

D - O quanto, da sua experiencia de vida, voce acha que atravessa, ou vaza diretamente para a sua literatura?

LR - No meu caso, eu nao nasci para ser escritor. Nao foi conseqüencia de um desejo, um sonho de criança nem nada. Minha mae era analfabeta, meu pai semi-analfabeto, portanto, evidentemente, na minha casa nao havia livros. Eles nao eram de Cataguases, eram de cidades próximas, e se mudam para Cataguases exatamente para tentar proporcionar, a mim e aos meus irmaos, a única coisa que eles tinham certeza que poderia nos tirar da situaçao de pobreza, que era a educaçao. Eles migram entao para Cataguases, e lá entao, para ajudar no orçamento de casa, eu fiz um monte de coisas. O comércio, trabalhando como ajudante do meu pai, que era pipoqueiro. Eu brinco até que ele nao era nem o mais importante pipoqueiro de cidade, ele era o segundo mais importante , porque tinha duas praças, a da Igreja e do cinema, e ele era da Praça da Igreja. O primeiro era o do cinema, porque a Igreja tinha muito menos gente. Também carreguei muita trouxa de roupa que a minha mae lavava, levando pros clientes. Trabalhei como caixeiro de botequim, trabalhei na indústria textil, no setor de algodao hidrófilo, que é aquele algodao que se usa para tirar esmalte. Quer dizer fiz uma série de coisas, pra de alguma maneira... Quer dizer, nao somos uma família que passou fome nem nada, mas que viveu sempre com muita dificuldade. E entao, eu nem pensava, pra mim o meu caso aí era de sobrevivencia unicamente. Só que ocorreu, no meio dessa história toda, um fato que é o seguinte: eu estudava em uma escola muito ruim em Cataguases, e havia um colégio excelente na cidade, mas era um colégio da elite. Era um colégio público, mas era da elite. E um dia, ajudando meu pai na saída de uma missa, veio um senhor, e conversando com meu pai e comigo, falou assim: "Ah, voce está estudando?" Eu falei: "Estou". "E onde voce estuda?" Eu falei: "No Colégio Antônio Amaro", que era o colégio horrível, e a noite. E por que voce estuda no Colégio Antônio Amaro e nao no Colégio Cataguases?", e aí meu pai falou: "Olha, todos os anos eu vou lá e nao arrumo vaga". "Imagina, no próximo ano o senhor me procura, que eu vou arrumar a vaga pro seu filho". E foi o que aconteceu. No ano seguinte, meu pai foi lá e ele arrumou a vaga, e eu me transferi pra lá. Só que eu estava no colégio a noite e trabalhava de dia, e tive que estudar de manha lá, entao nao trabalhava mais. E eu nao me adaptei. Eu nao conseguia me relacionar com os meus colegas, eles tinham sonhos e desejos completamente diferentes dos meus. E para me livrar daquele constrangimento, eu me refugiava no único lugar em que nunca tinha ninguém, que era a biblioteca. Mas nao para ler, eu me refugiava para me esconder. Só que, entrando uma vez, duas vezes, tres vezes, quatro vezes, cinco vezes, a bibliotecária achou que eu quisesse um livro, mas tivesse timidez, e nao tivesse coragem de pedir. Ela me deu um livro e falou pra eu ler. Eu peguei o livro e cheguei em casa e meu pai perguntou "O que é isso aí?". "É um livro". "E por que voce trouxe esse livro?". "A mulher lá da escola falou para eu ler". "Entao tem que ler". Aí eu li. E aí quando devolvi o livro ela perguntou "Voce leu?" Eu falei "Eu li". "Ah, entao toma outro". E aquilo foi um ano, foi um inferno na minha vida. Porque toda vez que eu entregava o livro, ela me dava um livro, eu entregava, ela me dava outro e tal. Aí, foi o ano que eu li. Quando chegou no final do ano, eu saí da escola, porque nao me adaptei, e acabou a minha relaçao como o livro, porque nao tinha biblioteca mais. E aí, meu pai e minha mae falaram "Olha, voce tem que fazer alguma coisa na vida, senao voce vai ser um operário a vida inteira", e eu fui fazer tornearia mecânica no Senai, me formei, fui trabalhar em Juiz de Fora. Em Juiz de Fora eu acabei entrando na Universidade Federal de Juiz de Fora, para fazer o curso de Comunicaçao. Fazendo o curso de Comunicaçao, voltei a me relacionar com pessoas que gostavam de ler e gostavam de discutir sobre literatura. Aí voltei a ler, retomei aquele fio perdido. Mas nunca fui jornalista por profissao. Nao, Jornalismo foi porque eu tinha que fazer uma coisa para trabalhar e ganhar dinheiro e tal. Entao, fui para Sao Paulo trabalhar e na primeira oportunidade que eu tive larguei, nao gostava daquele negócio. E aí sim, fui trabalhar como gerente de lanchonete, quer dizer, primeiro comecei como assessor de imprensa, aí achei aquilo um saco, aí fui trabalhar como gerente de lanchonete, depois vendendo livros, até uma hora que eu vi que tinha que voltar para o jornalismo, voltei pro jornalismo e fiz carreira. Em 2003, quando deixei o jornalismo, era Secretário de Redaçao do Jornal da Tarde de Sao Paulo. Quer dizer, entao a minha vida pessoal, ela nao é voltada para a literatura. Só que quando, lá em Juiz de Fora, eu voltei a ler, eu comecei a perceber que eu nao só queria ler, mas queria escrever também. E escrever sobre o que? Eu queria escrever sobre o eu conhecia, que era a vida operária, a vida do pessoal da periferia da minha cidade, que migrava para Sao Paulo e para o Rio de Janeiro para sobreviver. E eu falei "que legal, vou escrever sobre isso e deve ter um monte de gente na literatura brasileira que já escreveu sobre isso, é só pegar carona". E nao tinha! Nao existe literatura sobre classe média baixa operária urbana. Voce tem operário militante, voce tem geralmente uma classe média que é de funcionário público, mas operário de classe média baixa, aquele que bate cartao, sobre essa vida desse operário, nao tem. Tem Jorge Amado que é militante político, nao tem literatura sobre isso. Aí eu me preparei mais uns quinze anos para sentar a bunda e falar: "Agora eu vou escrever". Aí eu comecei e tal, e aí desatei a escrever. Minha carreira começou em 98, e em 2003 eu larguei o jornalismo para me dedicar só a literatura.

D - Voce opera uma estratégia que é propor um pacto ao leitor de que houve uma entrevista, que o personagem Serginho existe, e está agora andando pelas ruas de Lisboa. O leitor inicia o livro com essa informaçao, aceitando ou nao o pacto. Depois, é claro que isto nao importa mais, nao há a tentativa formal de lembrar ao leitor da entrevista, nao existe um registro de transcriçao da fala, passa-se a um registro literário e pronto. Como foi essa escolha, o que o levou a trabalhar desta forma?

LR - Quando eu falo que eu estou tentando escrever sobre classe média baixa, sobre o operário, sobre a construçao da história brasileira do ponto de vista dessa classe operária, a primeira coisa que vem a cabeça do leitor ou do crítico é entao que eu faça uma literatura sociológica, que eu faça uma literatura no registro médio ou baixo. É exatamente o contrário. Eu acho que a língua é poder. E achar que para falar de pobre voce tem que usar pobreza na linguagem é fascista. Isso a classe média brasileira sempre fez. Quando se retrata pobre na literatura brasileira, os pobres estao sempre falando errado, com sempre uma psicologia "mínima", e por que? Porque é o ponto de vista de quem sempre mandou. É o ponto de vista da elite brasileira. E eu fiz exatamente o contrário. Os meus livros, do ponto de vista da forma, sao extremamente complexos, assim, eu acho, mas a própria crítica fala que sao, porque eles nao tem... Eu parti do seguinte princípio: o romance é o romance burgues, ou seja, ele é biográfico, porque ele precisa contar uma história, e essa história é biográfica sempre. Mesmo hoje, quando voce coloca mesmo o narrador em discussao, mesmo assim é biográfico. Pobre nao tem biografia. Pobre nao tem nem documento. Entao eu tentei criar um genero ficcional que estabelece uma relaçao muito próxima entre a narrativa em ruína com uma forma em ruína. A própria forma é quase uma mimese do conteúdo em ruína. Entao, algumas estratégias acabam tendo que ser tomadas como primeiro parâmetro. No caso do Estive em Lisboa e lembrei de voce, a idéia era exatamente essa, era a de vender uma ilusao para o leitor, porque aquele mesmo livro escrito em terceira pessoa nao seria um livro, ele nao teria nenhum interesse. Entao, eu estabeleço um pacto, digamos assim, de liberdade inicial com o leitor, e se ele nao compra essa história no começo, o livro nao vai; se ele compra, ele esquece, e aí já nao tem mais narrador, e ali é realmente uma degravaçao de uma entrevista que eu fiz com um personagem. Em alguns jornais saiu assim: "Luiz Ruffato voltou a sua veia jornalística e fez uma entrevista...". Ótimo! Eu fiquei felicíssimo, eu fiquei muito feliz.

D - Como é pra voce, que trabalha a partir da fala do brasileiro ao mesmo tempo em que cria uma prosa de estrutura formal complexa e contemporânea, a relaçao com o mercado externo? Ouvi sua fala agora, e dava para sentir a exasperaçao com um olhar estrangeiro, que alguns agentes e editores ainda tem, que busca um Brasil idealizado, quase que caricato, nas obras de autores brasileiros que eles procuram para comprar e distribuir. Voce poderia falar um pouquinho sobre isso?

LR - O grande problema é esse, existe uma imagem, principalmente no exterior, que as pessoas querem que voce cumpra, e quando voce nao cumpre, por exemplo assim, se voce for levar um teatro de imagens tropicais para a Europa, todo mundo diz, que legal, bacana. Agora se voce for levar um de vanguarda, aí os caras vao falar assim: mas um teatro de vanguarda brasileiro? Eles nao reconhecem. Qual é o nosso grande desafio? Aí eu vou ser muito sincero: o mercado externo me interessa como subproduto. Eu quero que a minha obra seja discutida, conhecida, vendida, analisada e repercutida dentro do Brasil. Eu sou brasileiro, faço literatura brasileira. Entao, isso é que me interessa. Agora, evidentemente eu nao posso desprezar o reconhecimento lá fora, por dois motivos. Primeiro, e mais importante deles, é porque isso que me traz divisas, e eu vivo disso. E segundo, é que, infelizmente, ainda hoje, quando o seu livro tem alguma repercussao lá fora, ele acaba tendo uma re-repercussao aqui dentro. Aconteceu que, quando Eles eram muitos cavalos foi lançado na França, houve uma repercussao muito grande nos jornais, nas revistas francesas, de literatura ou de cultura de uma maneira geral, e os jornais brasileiros noticiaram novamente um livro que tinha sido lançado quatro anos antes! Mas de novo? Mas falando de que? De que um livro estava tendo uma repercussao muito grande na França. E isso é uma coisa que ocorre independentemente, e infelizmente, até mesmo contra a política pública de cultura brasileira, que nao existe na verdade, ou que até mesmo atrapalha. Entao, eu acho que o grande desafio nosso, produtor de cultura, é brigar para ter uma política pública muito clara em relaçao a cultura. Nao uma política ocasional, feita por esse governo ou aquele, nao! É uma política pública, que é uma coisa assim, de lei, que nós vamos discutir, vamos tentar amarrar as várias pontas disso, e aí ela vai se perenizar. É isso que nós precisamos. Agora, infelizmente nós vivemos num país que, nao posso falar de outros campos, mas na literatura, a grande maioria das pessoas que escreve é de classe média e nao precisa absolutamente falar disso, nao tem o menor interesse em discutir essas coisas, e ficam felicíssimos quando recebem um convite para participar de qualquer coisa lá fora, porque é a glória maravilhosa. Eu nao vejo assim, mas infelizmente é assim.

D - Existe, desde o início dos anos 2.000, uma movimentaçao grande de coletivos artísticos que age usando a internet como lugar de convívio e criaçao, e que busca novas formas de produçao e difusao de seus trabalhos, procurando brechas e novas formas de lidar com as leis do mercado de arte. Grande parte desses coletivos vem das artes visuais, mas também da dança e da música, e alguns de teatro. A literatura na rede é também um fato, existem hoje milhares de blogs e publicaçoes que acontecem exclusivamente nesse ambiente. Como voce ve as especificidades da criaçao literária na internet e as possibilidades de criaçao de redes virtuais entre autores?

LR - Um grande problema nós temos, ao contrário de outras manifestaçoes artísticas, que eu vejo mesmo com as artes plásticas, é que nós somos individualistas. No teatro, voce tem grupos de teatro, voce tem grupos de artistas em artes plásticas; na literatura voce nao tem grupos, voce tem pessoas. E em geral, o que prevalece sao interesses absolutamente individualistas, e pouco generosos. Mesmo quando voce quer estabelecer uma rede de vinculaçao, como, por exemplo, a de lusofonia, que me interessa profundamente, sao iniciativas absolutamente pessoais e formuladas a partir de amizades, de admiraçoes pessoais. Entao, por exemplo, eu tenho uma rede de relaçoes com a lusofonia, desde a Galícia, Portugal, África, e o Timor Leste agora, que eu fiz, e que eu de alguma maneira tento compartilhar com os meus colegas mais próximos. Agora, isso nao se consubstancia numa rede, é uma relaçao de amizade e que funciona ou nao funciona dependendo da sua capacidade de articulaçao e do seu interesse em articular. No caso específico do livro, por conta exatamente desta peculiaridade, seria imprescindível voce ter uma política do livro clara, transparente, em que as regras fossem absolutamente compartilhadas por todo mundo, e assim sim, voce poderia entao, talvez, a partir dessa política clara, iniciar as tais redes. Como uma rede anterior eu acho muito difícil, nao faz parte das nossas características culturais.
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