



maio/2010
Poema de Carol Marossi
A noite. Tanta.
Escuro, a retina embaçada
Nada vejo. Você, talvez
Uma figura disforme
Caminhando através da porta
Entra-e-sai. Passaportes, vistos.
Europa, tantos países.
Pego o dicionário
Verbete: amor.
Definições abstratas,
intangíveis.
Você, não se resume assim.
Talvez depois de taças vazias
Vinho, Rakija, Dubrovnik
O quadro na parede
Clausura, saudade
A ausência: tanta!
Nossas línguas se embaralham
Aquele poema, você
Nada além.
Estrada infinita,
saio pela contramão
Memória: é isso.
Apague-se.
Cansaço, tanto. Durmo.
Em sonhos, talvez
O reencontro.
Carol Marossi é uma advogada que brinca de ser poeta. Nascida em São José do Rio Preto, numa noite qualquer de maio de 1979, vive em São Paulo há 7 anos. Desconfia constantemente da própria lucidez e (ainda) acredita nas pessoas. Seu maior sonho é morar em uma livraria.
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