julho/2011 Poemas por Gabriel Felipe Jacomel

Carpo

meta: formosa
meta morfose
meta lhadora
ética
estética
estica e puxa
metacorpo mata o corpo
a facadas de bisturi

 

Classicacos

o clássico
não se põe em pedestal
se derruba (e) distraído!
fiz mosaico de sentidos
classe co lar
classe fi car

 

Heartstealing

nossa vã prisão o máximo
frágil quão caixão torácico
vendo o Sol nascer rajado
nessas grades de costela
ah! se os punhos fossem limas
se as promessas fossem sérrias
fugiria com tuas rimas
por quilômetros de artérias

 

Golden goose

fígado fidalgo
algo diz que deu errado
na receita do foie gras
o ganso pateta tomou umamais
e roubou o canto do cisne

 

Sorvete

todo mundo já sabia
tua boca eu abriria
a espinha gelaria
tão inteira te sorvia
agora que todos já sabem
orgulho na gente não cabe
tão bem como corpo cabia
num freezer de sorveteria
security cam não deixou insegura
caiu na net!

 

Sin fonia

polissímbolos sônicos
monossílabos tônicos
anseolíticos átonos
é tudo mashup
é tudo crossover
tudo insideout
sai do novovô
eraeditário
quem diria?
que tanta erudição
bem no fundo era edição

 

Peleja

coceira impele
o pêlo nem pede
implora à pele
não tape o sol
com suapeneira
(suor)
pois nada impede
de nascer em pilo
e de t'implodir
no me nor vacilo

 

Roça

possu' e roce
poi'sua posse
é passageira
possua a mim
ahlento a mil
q posse'são
saboreares

 

Seção Áurea

se são medidas
da sensação
sensato se
a musa
és tu

 

Dorian

podes tirar o pó que quiseres
trocar móveis das casas
por outros podreres
mas não vai ter botox
tirar os teus olhos

do pó pio umbigo

*

Gabriel Felipe Jacomel (Joaçaba, 1985) é performer e sua produção rasteja por mídias diversas. Edita desde meados de 2010 o blog faziafagiaebulimia com seus escritos mais recentes.
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