abril/2010 Dois poemas da plaquete Algo do Gênero por Lígia Dabul CEDIMENTO

Magra. Osso e arame farpado.
O cavalo ferido em frente
inquieto. Ela não espera. Abre
o tecido engomado com os óleos
que ainda insistem. São cores pálidas
de fibras. Quase uma investida essa
demora. Está furioso. O varal rasga
inteiro. Uma dor do bicho se entrega.

LAMPEJO

Despencou daquela altura porque
quis. Estava bem ferida. Sangrava
há horas. Podia acabar ali mesmo,
sozinha no alto do prédio,
a respiração difícil despregando,
a escuridão entrando pela boca.

Talvez quisesse experimentar o voo
de asas vermelhas que nunca vira.

Lígia Dabul nasceu e vive no Rio de Janeiro. Tem poemas publicados em antologias, revistas e jornais literários, impressos e virtuais, do Brasil e de outros países. Publicou em 2005 o livro Som (Rio de Janeiro, Editora Bem-Te-Vi). Em 2007 recebeu da Biblioteca Nacional bolsa para escritores com obras em fase de conclusão. Nave (São Paulo, Lumme) encontra-se no prelo. A plaquete Algo do Gênero está sendo lançada pela Arquería Editorial (São Paulo), Selo Artémis. É antropóloga, professora e pesquisadora da Universidade Federal Fluminense.
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