



março/2010
Tatuagem
por Henrique Rodrigues
Tatuagem
I
há os que estampam na epiderme
o seu recado a sua marca o seu slogan
o seu desejo a sua lembrança o seu afeto
o seu reflexo a sua mensagem
seus ícones seus índices
seus símbolos
seus signos
há os que assoberbados
antecipam epitáfios
os que simulam fúria ancestral
na logomarca tribal
e os que carimbam no corpo
a moda serial
em escala industrial
II
porém a tinta que te pinta
converte a tua imagem em coisa
distinta?
a pretensão do eterno
não passa nem deste inverno
(já nos comprovou
o pó do pós-moderno)
III
a rosa colhida no buquê da tua nuca
o nome indelével dos teus filhos, dos antepassados
as estrelas todas resumidas no céu das tuas costas
ficarão feito um amor de longe ou vão sair com água?
a agulha nem doeu, moça
só uma picadinha
passou, passou...
e eu também tento tatuar a lembrança do presente
no corpo rascunhado do meu tempo
Henrique Rodrigues nasceu no Rio de Janeiro, RJ, em 1975. Formou-se em Letras pela UERJ, fez pós em Jornalismo Cultural, também na Uerj, e mestrado em Literatura na PUC-Rio, onde é doutorando em Literatura. Trabalha com projetos de incentivo à leitura e circulação de manifestações literárias, especialmente com jovens e professores. É coautor do livro Quatro estações: o trevo (independente, 1999) e participou das antologias Prosas cariocas: uma nova cartografia do Rio de Janeiro (Casa da Palavra, 2004) e Dicionário amoroso da Língua Portuguesa (Casa da Palavra, 2009). Autor do livro de poemas A musa diluída (Record, 2006), Versos para um Rio Antigo (infantil, Pinakotheke, 2007), Machado de Assis: o Rio de Janeiro de seus personagens (juvenil, inakotheke, 2008), O segredo da gravata mágica e O segredo da bolsa mágica(infantil, ambos pela Memória Visual, 2009). Organizador e coautor da antologia Como se não houvesse amanhã: 20 contos inspirados em músicas da Legião Urbana (Record, 2010). Site do autor: www.henriquerodrigues.net