julho/2009 Lançamento e debate do livro Artimanhas da sedução - homossexualidade e exílio de Karl Posso por Juliana Pamplona
No dia 18 de junho aconteceu o lançamento e debate do livro Artimanhas da sedução - homossexualidade e exílio de Karl Posso no Fórum de Ciências e Cultura/UFRJ. Além da presença do autor, o debate contou com a participação dos professores Ítalo Moriconi e Victor Hugo Adler Pereira (UERJ) e da mediação de Beatriz Resende.

O novo livro de Karl Posso (University of Manchester) discute a homossexualidade a partir das abordagens melancólicas e não-afirmativas presentes em quatro obras de Caio Fernando Abreu e de Silviano Santiago. Karl Posso aponta para a maneira como essas obras retratam o homossexual através da melancolia ou - quando há prazer – um prazer culposo (“masoquista”, em suas palavras). Estes personagens “errantes” (como no caso de Stella Manhattan em que o leitor fica sem saber o destino do personagem exilado) mantêm posturas pouco ou nada afirmativas, ao contrário de uma literatura gay engajada recorrente em outros lugares dos EUA e Europa.

O debate girou em torno do contraponto entre estas duas maneiras de abordar a homossexualidade na literatura: numa postura identitária afirmativa gay (um comprometimento político mais explícito) e na ausência destes modelos afirmativos na escrita de Silviano Santiago e Caio Fernando na qual esta condição do homossexual segue um dos muitos caminhos que foge a normatividade. Ítalo comentou que pensar o papel de transformação social da literatura gay dentro destes modelos estrangeiros muitas vezes nos soa estranho - "A literatura faz tudo isso?".

Esta literatura de afirmação homossexual parece preocupar-se com a criação de uma nova normatividade, lutando para uma incorporação e aceitação dentro do "normal", idéia a qual Ítalo contrapõe a noção de "fluidez desconstrutiva", que seria um não-comprometimento com a norma possibilitando o transito entre opções de experiências "errantes" ou "sem amarras". Foi acrescentado por Vitor Hugo que este romper do rigor de modelos identitários fixos pode ser vivenciado tanto por homossexuais quanto por heterossexuais - não importa - são pessoas que buscam caminhos próprios fora dos padrões. Enquanto a abordagem não-afirmativa (da "fluidez desconstrutiva") pretende desconstruir a normatividade, a leitura afirmativa identitária reforça a normatividade criando uma nova normatividade.

Vitor Hugo colocou também em debate suas divergências em relação à visão de um Brasil apresentada em Artimanhas da Sedução que não corresponderia a sua própria experiência de Brasil, em especial, em relação à maneira que o período ditatorial é descrito por Karl Posso, enquanto Ítalo apontou para a importância de visões renovadas do Brasil pelos estrangeiros. O livro recém lançado, Artimanhas da sedução – homossexualidade e exílio, é da Coleção Humanitas e está disponível para novas leituras e discussões. Artimanhas da sedução - homossexualidade e exílio
de Karl Posso - Tradução: Marie-Anne Kremer (revisão de Karl Posso) Área: Literatura | Homossexualismo Coleção: Humanitas 2009. R$ 63,00
Paisagens sem drama. Resenha sobre Algum lugar. de Paloma Vidal. Por Beatriz Resende. A humanidade que se busca: a humanidade que se nega. Por Guilherme Mazzocato Cacos de um personagem. Por Guilherme Mazzocato Alameda Ivana. Por Leandro Jardim Sobre "Leite Derramado". Por Juliana Pamplona Lançamento e debate do livro "Artimanhas da sedução - homossexualidade e exílio" de Karl Posso Crítica do livro "Leite Derramado", de Chico Buarque. Por Júlia Rónai Crítica do livro "Os rumores imprecisos das conversas alheias", de Thiago Picchi Manuel da Costa Pinto comenta o livro Contemporâneos de Beatriz Resende Uma nova escritora e as (im)possibilidades do romance A Literatura do Presente de Susana Scramim: uma navegação de cabotagem