A – Alice
B – Bethania
C – Cohen
D – Dominique
E – Eduarda
F – Felícia
G – Gertrude
H – Holly
I – Irina
J – Jaqueline
1) Alice tira uma fotografia do bolso e observa longamente.
Alice - Não faz sentido. Não estou tão velha assim... Como pode? Sou eu. Que coisa... Quem tirou esta foto? Eu olho em direção a câmera... Então eu estava atenta, deveria lembrar. Quando? Pareço tão velha. Não lembro deste casaco... Não é meu. Não pode ser eu. Sou eu. (estremece) como pode? Onde é isso? Não reconheço... Um café? Essa mesinha preta... Essa mancha... o que será que tinha alí? No fundo um pedaço de... será um carrinho de compras... uma roda... tem uma mão a direita, um braço... Algum passante... Onde é? É Inverno. Esse casaco pesado... Será que peguei emprestado? Eu pareço tão velha... devia estar abatida, doente... com febre, delirando, por isso não lembro... Não pareço doente, são rugas... Não sou eu. O cabelo desgrenhado, sem corte, eu nunca...
(B.O.)
2) Cohen e Bethania invadem o quarto de Dominique que dorme em sua cama.
Cohen – Dominique, acorda!
Dominique – (assustada) Que isso?! O que aconteceu!?
Bethania – Conta pra ele.
Dominique – O que!?
Cohen – Anda, não enrola.
Dominique – Vocês estão me assustando.
Bethania – Quero que conte tudinho do sonho que você contou pra mim.
Dominique – Como é que eu vou lembrar? Vocês invadindo o meu quarto assim, bruscamente... acordei no susto, não lembro o que...
Bethania – Não o de hoje. O sonho de ontem.
Dominique – Ai, Bethania, você cismou com isso. Que horas são...
Cohen – Para! Para de fugir! Você vai me contar agora. Estou falando sério.
Dominique – O que houve?
Cohen – O que você sonhou ontem?
Dominique – Era... era uma porção de espelhos... eu... sei lá...
Cohen – espelhos?
Dominique – é...
Cohen – (para Bethania) nada de mais espelhos.
Bethania – Calma, tem, não acabou. Fala os detalhes, anda!
Dominique – Odeio acordar assim... falem direito comigo...
Cohen – Não estou de brincadeira, não me irrite! Fala tudo.
Dominique – Era... uma casa grande... espelhada e eu estava refletida por toda a parte...
Bethania – E...
Dominique – Eu ia saindo dos espelhos, quer dizer, as minhas imagens falavam comigo...
Cohen – Não é possível...
Bethania – (para Cohen) Te disse que era sério.
Dominique – Gente, não foi nada demais... só um sonho... foi até meio engraçado (ri) tinha uma imagem que dizia que você...
Cohen – Eu? Falava de mim?
Dominique – É... hilário, ela dizia que você queria todas e não ia ficar só comigo, aí eu falava que eu era a única por que as outras eram só reflexos, mas eu me mexia e elas não refletiram o meu movimento...
Bethania – (para Cohen) Viu?
Cohen – (Dominique) Que mais?
Dominique – Por que você está tão chateado...
Cohen – Cala a boca e me responde! O que mais aconteceu?
Dominique – Foi um sonho, amor...
(Cohen dá um tapa na cara de Dominique. Dominique assustada começa a chorar)
Dominique – (tentando levantar da cama) Sai da minha casa... (Bethania a empurra de volta)
Bethania – Nada disso. Fica aí.
Cohen – Você me obrigou...
Dominique – Eu não fiz nada... Vocês me acordaram assim... Quero a chave da minha casa de volta... (Bethania a segura pelo braço)
Bethania – Conta até o final! Eu quero o final!
Dominique – Já te contei!
Bethania – Pra ele! Quero que conte pra ele!
Dominique – Tá bom! Estou tentando... era... não lembro bem...
Bethania – Se esforce.
Dominique – Calma, virava... um ... uma prisão... de espelhos... e os reflexos não me obedeciam. Eu levantava os braços e eles faziam qualquer coisa menos isso... eu ficava nervosa... não conseguia sair...
Cohen – Onde era esse lugar?
Dominique – Parecia...
3) Eduarda fala ao telefone. Pede ajuda desesperadamente.
Eduarda - Eram iguais... idênticas ... Elas não me viram... Até quando vamos ficar aqui?... pelo amor de deus, você precisa me tirar daqui. Não quero conhecê-las! Por favor... Me solta! Eu fujo. Eu vou pra outro país... sei lá... tem gente de 25, 28, 30, 35, 40... sei lá... já tá feito, não adianta prender todo mundo. Não, não... me tratam muito bem... a casa é espaçosa. Eu sei, estava em dificuldades financeiras lá fora... o café da manhã é bom. Tem frutas, geléia, pão integral... Não saí do quarto... não tive coragem. Tenho medo delas... não, não parecem bravas...mas, há de convir que uma a mais, uma a menos, não fará diferença... Por que eu? Talvez meu marido perceba a minha falta. Ele pode chamar a polícia, vai ser pior pra vocês... Tem razão... ele não vai notar... por favor, ando muito aflita aqui... eu não me agüento mais! Você é a única pessoa que pode...
4) Repórter:
Mistério. Janette Monet morre duas vezes! A artista plástica foi cremada na terça feira da semana passada depois de ter se jogado do nono andar de seu apartamento no centro da cidade. Janette foi encontrada hoje, novamente morta. Desta vez, por afogamento.
Horror! O País está perplexo. Tico ganha o concurso nacional de fofura dos animais de estimação das celebridades. A cidade do Rio de Janeiro se mobilizou em solidariedade a pom-pom que ficou, para o espanto da nação, em segundo lugar! Os protestos começaram cedo. Muita gente não foi trabalhar hoje para prestar homenagem a atriz Kelly X, dona de pom-pom. Kelly estava transtornada, não quis dar entrevista. Sua mãe apareceu na varanda para dizer que Kelly não comeu nada o dia inteiro e que isso não tem nada a ver com a sua anorexia. Pom-pom passa bem. Brincou com o seu ossinho preferido, correu no quintal, fez as suas necessidades regularmente. Apesar de aparentemente não se abalar, sabemos que no fundo, o coraçãozinho do bicho está triste. Queremos justiça! O júri será interrogado amanha de manhã.
Nota. Cresce o número de mortos pela ocupação da polícia na favela do chipanzé. Apenas 16 dos mortos eram crianças.
5) No jardim. Sentadas num banco.
Felícia – Adorei te conhecer!
Gertrude – Nunca é como esperamos.
Felícia – Sempre tive certeza que o mundo seria melhor se só eu existisse e agora eu posso provar!
Gertrude – Desde que a gente tenha consciência de que eu sou eu, e você é você. O meio forma a pessoa. Cultura é o que faz o indivíduo.
Felícia – Sempre! Por isso é que eu fico contente de ser tantas!
Gertrude – Exato. Não tenho como me reconhecer em você. A vida me fez única.
Felícia – Da mesma matéria. Lindo isso, né?
Gertrude – Eu não sei o que querem de nós, mas vou cobrar caro. Devemos pedir indenização por danos identitários.
Felícia – Ficaria aqui pra sempre.
Gertrude – É muito pequeno isso aqui.
Felícia – Eu sei! Fico perdida!
Gertrude – A única pessoa que me intimida é a original.
Felícia – Por que não importa quem veio antes ou depois, importa que a gente sente igual, pensa igual, tem as mesmas alergias...
Gertrude – Ainda bem que não penso desta maneira, seria uma tragédia...
Felícia – Claro, e porque somos pessoas legais... a gente devia anotar o que acontece em cada idade para que as mais novas não tenham que viver as coisas ruins de cada fase da vida de novo... Me sinto ao inteligente quando estou com você. Você me inspira. Ou eu me inspiro. Tanto faz.
5) Holly e Irina numa cama de casal.
Irina – É como masturbação.
Holly – Naturalmente.
Irina – Não sei como a Jaqueline pode ter se saído tão careta...
Holly – reprimida...
Irina – moralista...
Holly – uma pena...
Irina – É um potencial desperdiçado...
Holly – mas foi bom, só nós duas...
Irina – sem dúvida...
Holly – é verdade que três...
Irina – é uma química interessante...
Holly – de repente com o tempo...
Irina – ela se acostuma.
Holly – ficou tão chocada.
Irina – Por nada!
Holly – até me preocupo...
Irina – sei...
Holly – sabe, né?
Irina – mas acho que não...
Holly – será?
Irina – aqui?
Holly – teria coragem?
Irina – não creio que temos tendências suicidas...
Holly – é o que me tranqüiliza por outro lado.
Irina – não está em nós.
Holly – nossos pais devem ter sido bem saudádeis...
Irina – e livres...
Holly – estranho a Jaqui...
Irina – Muito...
Holly – tão triste...
Irina – aquele olhar melancólico...
Holly – não é genético...
Irina – coisa de criação...
Holly – curioso...
Irina – que pena...
Holly – mas foi ótimo...
Irina – da próxima vez, a gente devia fazer...
Holly – já até sei! Também pensei que seria gostoso...
Irina – delícia...
7) Vozes misturadas e músicas distorcidas (algo como Portishead). Todos entram e saem lentamente em zig-zag. Cada personagem tem um objeto diferente nas mãos. Espaço indefinido, espelhado.
A – Alice segura uma câmera polaróide. Se fotografa e deixa um rastro de fotos no chão.
B – Bethania segura um diário. Rasga algumas páginas deixando um rastro de folhas pelo chão.
C – Cohen segura uma flor deixando pétalas pelo chão.
D – Dominique segura um espelho que reflete uma luz no chão demarcando o seu caminho enquanto ela anda para trás.
E – Eduarda segura um celular que ilumina o seu rosto em azul, o ringtone fica mais alto enquanto ela atravessa a cena e permanece ainda algum tempo depois de sua saída.
F – Felícia segura um par de óculos escuros. Parece procurar o seu dono. Assobia ao atravessar a cena e continua por um tempo, já do lado de fora, assobiando.
G – Gertrude segura um gravador. Grava palavras confusas, sussurradas. Na metade de seu trajeto dá play e ouvimos a gravação.
H – Holly veste um roupão e segura um travesseiro. Cantarola uma canção infantil de ninar.
I – Irina segura uma venda de olhos. Cantarola a mesma canção que Holly só que de maneira mais sedutora.
J – Jaqueline segura uma bússola. Faz o trajeto com imprecisão.
Holly grita: Silêncio! A iluminação destaca Jaqueline que contradiz o que Irina e Holly falaram dela.
J – Eu tenho fama de ninfomaníaca. Mas isto é apenas uma generalização pobre. Sempre tive muito tesão em mim! Em mim! Comecei a me masturbar bem cedo. Aos três anos de idade me apaixonei pela minha imagem no espelho. Meu primeiro amor. Aos seis vi a minha primeira fotografia. Não largava mais aquilo. Dormia com ela, fazia cocô com ela, levava para a escola... com onze tive meu primeiro namorado... chato... achei que de repente eu era gay. Aos doze arranjei uma namorada... chata... resolvi ficar só. Ainda na escola me afeiçoei a um grupo de garotos nerds. Entre eles, Cohen, um cientista promissor. Naquela época já clonava insetos... tinha um laboratório clandestino em sua garagem. Certo dia, confessei a minha fascinação por mim mesma. Nossa, como eu queria transar comigo mesma! Ele me fez uma proposta. Topei. Fui muito feliz, até que... ele se apaixonou pela número 8. Terminamos a parceria ali. Perdi o tesão em mim... sei lá. Perdeu a graça. Perdi a graça. Passou. Hoje em dia estou mais interessada em animais e sua diversidade biológica. Não consigo mais me olhar... Chegou a hora da responsabilidade. Devo retomar o controle. Houve uma superprodução. Tive que seqüestrá-las, para então decidir quem fica e quem deve morrer.
9)
Curioso. Foi encontrado um laboratório clandestino de clonagem humana desativado. Os responsáveis estão sendo procurados. Nada indica que de fato alguma clonagem foi realizada.
Feriado nacional! Pom-pom recupera o prêmio de fofura que lhe é de direito! Tico morre de causas desconhecidas. Pom-pom é oficialmente o animal de estimação mais fofo do país e se prepara para competir em concurso internacional no próximo ano. Em um depoimento emocionante, a mãe de Kelly conta que sua filha está tão feliz que nem consegue comer (e que isso não tem nada a ver com a sua anorexia)! Pom-pom mantém um cotidiano banal, se mostrando um exemplo de humildade. Dá uma lição para a juventude de como o sucesso não deve subir a cabeça daqueles que se destacam como superiores absolutos em relação ao resto da humanidade. Viva o nosso herói! Pom-pom, nós te amamos!
Nota. Um grupo divertido de adolescentes descolados incendiou um senhor nesta madrugada. Para o alívio dos pais, ele era mendigo mesmo.
10)
Dominique e Alice, que segura a mesma foto da primeira cena. Parecem estar terminando um café da manhã na casa. Há outros pratos e copos sujos em outros lugares da mesa, cadeiras desarrumadas como no final de um café da manhã coletivo.
Dominique – Ridícula. Joga fora. Isso é lixo.
Alice – Eu preciso me lembrar.
Dominique – Não é você. Rasga essa foto, ela vai te matar.
Alice – Sou sim! Sou eu. (confusa) Ou você...
Dominique – Você não entendeu nada. Estúpida.
Alice – Eu estou aqui por causa da foto... (confusa) Tenho certeza. Foi o que me disseram. Foi como cheguei aqui.
Dominique – É uma foto antiga.
Alice – (sorrindo) Eu me olhei no espelho! Na foto sou eu! Tem a minha idade.
Dominique – Você envelheceu aqui dentro. Já pensou que daqui a pouco você vai estar mais velha do que a foto? Maluca. Me dá isso.
Alice – Não! Não. É minha.
Dominique – Mas não é você.
Alice – Pára! Sou sim. Sou eu. Me deixa. É minha.
Dominique – Então como é que você explica, sua retardada?
Alice – Não lembro.
Dominique – Enlouqueceu.
Alice – Não! Sou eu! Eu juro. Sou eu... eu estou aqui dentro... na fotografia...
Dominique – Não entendo por que não te mataram logo. Era mais prático. Você nos envergonha. Pensar que temos o mesmo DNA.... Olha direito pra foto. Você esteve em Paris?
Alice – Paris?
Dominique – Não reconhece o lugar?
Alice – Não sei... faz muito tempo... é difícil....
Dominique - Como difícil? Você não disse que tem a idade da pessoa da foto?
Alice – Então sou eu!
Dominique – Ah, é? Olha bem. Então você esteve em Paris agora? Pegou o avião que pousou aqui no quintal? (ri irônica)... Que lugar é esse? Quando foi? Estúpida! Presta atenção! Essa da foto é a original! Você é um clone! Clone! Ouviu bem? Joga isso fora! Essa mulher não presta! Pára de andar com esta foto por aí. Está provocando um ódio coletivo. Não vou poder te proteger quando chegar a hora. Rasga! Me dá isso agora! Destrói essa foto!
Alice – Não! Por favor! Me deixa....
Dominique – Essa velha acabada parece você, mas não é você. Você se tornou uma velha acabada depois. Aqui. No cativeiro.
Alice – (desesperada, abraça a foto) Mentira! Sou eu! Eu sei que sou eu!
11) Cohen e Bethania. Bethania cozinha. Sua atividade exigem cortes precisos e agilidade.
C – primeiro ela massageou a carne com as mãos.
(B realiza a ação)
C – Depois a temperou cuidadosamente.
(B realiza a ação)
C – Fechou os olhos e dividiu mentalmente cada pedaço enquanto afiava a faca.
(B realiza a ação)
C – Cortou com precisão e agilidade cada cubinho de carne.
(B realiza a ação)
C – Engoliu cada pedaço cru.
(B olha para C com estranhamento)
C – jogou os restos numa tigela para o cachorro.
(B realiza a ação)
C – lavou o prato.
(B olha fixamente para o prato)
C – E desmaiou.
(B não realiza a ação)
B.O.
12) Eduarda e Felícia. Felícia fala enquanto Eduarda faz tentativas mal sucedidas de ligação no celular vez ou outra durante a cena.
Felícia – A Gertrude é muito engraçada, acha que é diferente. Fica se exibindo, dizendo que é especial, que não se reconhece em mim! Imagina, só!? Como é possível... Um bando de clone enclausurado em cativeiro e ela se fazendo de outra pessoa pra cima de mim! Insuportável. Espaçosa... Acha que aqui é pequeno! Vê se pode. Esnobando... Um casarão desses. Quantas de nós com essas caras de ameba conseguiram algo melhor na vida lá fora? Dinheiro não fortalece o caráter. Eu gosto de falar com você, por que você é a mais estúpida. Não julga e não fala nada. Acha que ela vai sobreviver? Alice? Você está diferente hoje... Alice? (Gertrude encara Felícia, mas não responde. Continua tentando discar.) Ai, meu deus, você é a Gertrude! (pausa) Eduarda! Quase que me mata do coração. Aff...
13) Gertrude e Holly dialogam contemplando um quadro na sala de estar.
Gertrude – Impressionante.
Holly – Está no DNA.
Gertrude – Uma de nós...
Holly – Artista, quem diria?
Gertrude – É belo.
Holly – E pensar que poderia ter sido eu...
Gertrude – Há algo obscuro sobre ele...
Holly – Você acha?
Gertrude – São bonitas as flores...
Holly – Pitorescas.
Gertrude – Mas algumas acabam... sobrando.
Holly – Acha mesmo?
Gertrude – Não havia pensado nisso?
Holly – Estamos sempre renovando as nossas perspectivas. (ri sem jeito)
Gertrude – A exploração excessiva de uma imagem acaba por esvaziá-la...
Holly – Tira o sentido...
Gertrude – O propósito...
Holly – Te incomoda?
Gertrude - ...
Holly – Quais as floreszinhas que você tiraria?
Gertrude – Começaria pelas da sombra...
Holly – (chocada) Todas?
Gertrude – (firme) Sem dó. Não combina com as cores pastéis do céu.
Holly – E as da colina?
Gertrude – Deixaria apenas duas...
Holly – Duas? Não é pouco?
Gertrude – É o máximo tolerável.
Holly – Seria tão trágico!
Gertrude – Mas quem sou eu pra mudar um quadro?! Não sou artista nem nada
Holly – É...
Gee – Lamentável...
(pausa)
Holly – Conhece algum artista?
14)
A seqüência da cena 7 se repete. Agora as personagens cumprem a trajetória sem os objetos. Som e luzes de sirene.
15) Silêncio súbito. Destaque de Jaqueline que faz um monólogo para o público. Fala sobre a foto de A.
Jaqueline – Sou eu na África. Verão. Essa blusa foi papai quem deu. Estava no hotel, toda empolada por causa dos mosquitos. À direita o meu dedo mindinho que saiu na frente da lente quando bati a foto. Alguém manchou de café... pena... adoro esta foto! Como eu era bonita quando jovem! Uma beleza. Os cabelos soltos, com movimento...
16) Irina fala com Eduarda pelo telefone.
Calma. Você se acostuma... Medo delas? Mas são como você! Dá uma volta, aproveita o jardim... Elas são bravas?... Não fique nervosa. Tenha algum senso de humor...
Não é como se fossem completas estranhas... conhecer alguém geneticamente, biologicamente já é bem íntimo.... Querida, é um seqüestro, não posso te liberar... não é por que não gosto de você... quero o seu bem... A sua vida estava uma bosta lá fora mesmo... O seu marido nem notou... Acho melhor se acostumar logo...
17) Repórter:
Curioso. Foi encontrado um laboratório clandestino de clonagem humana desativado. Os responsáveis estão sendo procurados. Nada indica que de fato alguma clonagem foi realizada.
18) Bethania repete a mesma seqüencia de ações da cena onze enquanto o telefone toca.
19) palco vazio. Os objetos das personagens (da cena 7) caem em cena um a um, nesta ordem:
Uma câmera polaróide (se quebra. Barulho.)
(pausa)
Um diário
Uma flor
(pausa)
Um espelho (se quebra. Barulho)
Um celular (se quebra. Barulho)
Um par de óculos escuros (se quebra. Barulho)
Um gravador (se quebra. Barulho)
(pausa)
Um Travesseiro
Uma Venda de olhos
(pausa)
Uma bússola (se quebra. Barulho)
20)
Irina – É como masturbação.
Holly – Naturalmente.
Irina – Da próxima vez, a gente devia fazer...
Holly – Já até sei! Também pensei que seria gostoso...
Irina – Delícia...