Quebradeiros, surgiu uma oportunidade de uma sessão especial na Mostra de Cinema Indígena para vocês e acompanhantes.

Essa sessão será realizada no dia 13/6 (quarta-feira), de 10h às 15h, no SESC Ginásio (Av. Graça Aranha, 187, Centro, Rio de Janeiro. Tel. (21) 2279-4027.

Temos 500 lugares para serem ocupados por vocês. Aproveitem!

Comentário de Beá Meira: “Esta programação é demais!!!! Tudo a ver com a Rio + 20. Este pessoal do Vídeo nas Aldeias está fazendo uma revolução com esta etnografia compartilhada e participativa. Os índios contando suas histórias através do cinema.”

Os interessados devem escrever para rosaufrj@pacc.ufrj.br  para reservar os lugares.

> Confira a Programação Completa


SESC NAS ALDEIAS: 25 anos de Vídeo nas Aldeias

A idéia é casar a beleza do novíssimo cinema indígena com a pertinência de seu conteúdo, nada poderia ser mais coerente com os temas da Rio+20, levando aos estudantes da rede pública da cidade do Rio de Janeiro, uma Mostra com o melhor da produção cinematográfica indígena brasileira, com sessões especiais seguidas de conversas dos estudantes  com os realizadores indígenas. São filmes brasileiros de uma força enorme, com grande poder de comunicação e principalmente com valores humanos e ambientais incomensuráveis. É uma verdadeira aula de humanidade, uma transmissão de Conhecimentos feita com arte, com grande apuro estético e conteúdo deslumbrante, que pode ser desdobrado nas salas de aulas, usando os filmes para tratar de história, geografia, português, literatura e artes no geral.

Nada poderia ser mais pertinente, ao tratarmos o amplo universo de assuntos ligados ao Meio Ambiente, do que a opinião dos chamados Povos da Floresta, que vivem em harmonia e equilíbrio com o ambiente em que vivem, e todos os seres com os quais convivem; sejam eles animais, plantas, minerais. Sob o Perspectivismo Ameríndio tudo é humano e nesse tudo, se inclui o homem e tudo o mais que exista, isto é, que seja concreto. Talvez desse paradoxo nasça a real necessidade de equilíbrio com o todo, a simplicidade diante da vida. Com os Povos da Floresta temos tudo a aprender sobre cuidados com o meio ambiente, preservação das florestas, das águas, o não desperdício (já tão banalizado pela cultura consumista imediatista), a justa distribuição de riquezas e conhecimentos, de alimentos e o resgate de uma cultura continental amplamente baseada em todos esse valores, ancestrais, e que hoje, diante do colapso da civilização pós moderna, são valores que, para nós mestiços das grandes cidades, podem significar a possibilidade ou não de continuação da civilização.

Que caminhos hoje queremos tomar, como seres individuais e coletivos, como pessoas e cidades, ao mesmo tempo. Onde erramos e onde acertamos? Temos muito a aprender com os nossos irmãos mais velhos, como eles mesmo se denominam, e sua arcaica sabedoria, transmitida há muitas gerações, sobrevivida de muitas dominações e genocídios, os indígenas hoje sublevam-se novamente, Desmassacrados, e vêm trazer, na sua generosidade característica, informação e sabedoria para seus irmãos mais novos, neste momento histórico em que todos os corações se encontram numa rede farta em desejos de renovação e transformação.

Criado em 1986, Vídeo nas Aldeias (VNA) é um projeto precursor na área de produção audiovisual indígena no Brasil. O objetivo do projeto foi, desde o início, apoiar as lutas dos povos indígenas para fortalecer suas identidades e seus patrimônios territoriais e culturais, por meio de recursos audiovisuais e de um produção compartilhada com os povos indígenas com os quais o VNA trabalha.

O VNA surgiu dentro das atividades da ONG Centro de Trabalho Indigenista, como um experimento realizado por Vincent Carelli entre os índios Nambiquara. O ato de filmá-los e deixá-los assistir o material filmado, foi gerando uma mobilização coletiva. Diante do potencial que o instrumento apresentava, esta experiência foi sendo levada a outros grupos, e  gerando uma série de vídeo sobre como cada povo incorporava o vídeo de uma maneira particular.

Em 1997, foi realizada a primeira oficina de formação na aldeia Xavante de Sangradouro. O  VNA foi distribuindo equipamentos de exibição e câmeras de vídeo para estas comunidades,  e foi criando uma rede de distribuição dos vídeos que iam produzindo. Foi se desenvolvendo e gerando novas experiências, como promover o encontro na vida real dos povos que tinham se conhecido através do vídeo, “ficcionar” seus mitos, etc.

O VNA foi se tornando cada vez mais um centro de produção de vídeos e uma escola de formação audiovisual para povos indígenas. Desde o “Programa de Índio” para televisão em 1995, até a atual Coleção Cineastas Indígenas, passando por todas as oficinas de filmagem e de edição do VNA, em parceria com ONGs e Associações Indígenas, o projeto coloca a produção audiovisual compartilhada ao centro das suas preocupações.

Em 2000, o Vídeo nas Aldeias se constituiu como uma ONG independente. A trajetória do Vídeo nas Aldeias permitiu criar um importante acervo de imagens sobre os povos indígenas no Brasil e produzir uma coleção de mais de 70 filmes, a maioria deles premiados nacional e internacionalmente, transformando-se em uma referência nesta área.

Em 2011, o longa metragem “As Hiper Mulheres” recebeu os prêmios Espacial do Júri e melhor montagem no Festival Internacional de Cinema de Gramado, causando forte comoção entre a platéia que se viu dividida entre as lágrimas emocionadas e a excitante visão de um novo mundo retratado por povo antigo, um mundo novo, que esteve aqui desde sempre, mas talvez apenas agora tenha chegado o momento em que consigamos VER, no sentido Ameríndio do termo. Esta Mostra é dedicada a DARCY RIBEIRO e toda vanguarda do pensamento e da ação em prol da EDUCAÇÃO.