Publicado originalmente no blog Na Zaga e nas Artes, mantido pela Profa. Rosza W. Vel Zoladz.

Contrariamente ao que se dizia, a negociação é uma prática que se dá entre indivíduos e grupos que não se conhecem ou não têm familiaridade. Dei no nosso livro Profissão Artista aquele esquetezinho conhecido em que se agradece o presente recebido. O agradecimento vem acompanhado de gestos, reafirmando a negociação bem resolvida. Tudo isso não pode ser compreendido fora da ideia de arte como jogo. Vejamos o que isto quer dizer.

Para Anne Cauquelin, a arte é um jogo no qual é preciso levar em conta o político, que, em se tratando da arte, normatiza todas as ações implicadas na criação, incluindo-se o segredo. Aparece então a pergunta: o que nos ensina esse jogo? No futebol, já deu para perceber, que ele transforma os jogadores em atores sociais, porque eles jogam (ou precisam jogar e não fazer chutes para unicamente golear o adversário), a goleada será uma decorrência do jogo. Melhor dizendo, jogadores e jogo se transformam conforme o jogo é jogado. É preciso dizer que assim como no futebol, na arte o artista não é exclusivamente o jogador, mas sim, o próprio jogo, englobando a ação de jogar (realizar um quadro, uma gravura, uma escultura, uma fotografia). Todas as ações, juntas ou separadas. Do que Anne Cauquelin diz, vão se estabelecendo ligações entre os atores envolvidos. Esse envolvimento pode chegar ao que se conhece hoje como reencantamento. Já que o encantamento foi típico da idade média. Em nossos dias na pós modernidade, segundo Mafesolli tem-se o reencantamento. Possível de ser observado naquilo que a artista e professora Isis Braga diz: “Li rapidamente uma parte do seu blog. Fiquei contente em ver que você gosta de futebol, esporte pelo qual sou apaixonada, não só pelo jogo em si mas também pelo aspecto visual plástico. É um espetáculo emocionante e muito colorido! Ver os jogadores em campo e também o colorido das torcidas, a movimentação das bandeiras, dos braços é um espetáculo maravilhoso!” Mas há também questões sérias decorrentes dessa emoção exacerbada que desperta do aparato plástico-visual presente nos estádios hoje. A violência está presente aí e dela falarei mais adiante. Na negociação de Thiago Neves e Ronaldinho com os seus clubes, a tramitação do segredo também esteve presente! Acresce que os jogadores brasileiros que jogaram futebol na Espanha, na Itália aprenderam o que quer dizer defender os seus próprios direitos. Coisa nova no futebol brasileiro. Já faz tempo e nos faz lembrar o que se deu com Romário: “jogo é jogo, treino é treino”. De uma forma intuitiva, Romário dizia que era preciso defender os direitos do jogador.