Com o objetivo de debater os rumos da literatura frente ao crescimento das mídias digitais, o Oi Cabeça, projeto da Aeroplano Editora com o patrocínio da Oi e Secretaria de Cultura do Rio, promove no dia 20 de julho, no Oi Futuro do Flamengo, mais um debate sobre o tema. Desta vez, o convidado especial é o alemão Daniel Gelder, vice-presidente da Metaio, a principal empresa do mundo especializada em Realidade Amentada (RA). Considerada a interface do futuro, a RA é uma tecnologia relativamente simples que integra objetos virtuais ao ambiente físico. Com curadoria de Heloisa Buarque de Hollanda e Cristiane Costa, o Oi Cabeça acontece até dezembro, reunindo todo o mês, pensadores e estudiosos da cibercultura. Gelder conversará com o filósofo especializado em cibercultura Rogério da Costa sobre as mudanças de concepção quando o muro que separa virtual e real desmorona, tornando-se apenas uma questão de gradação, como se aumenta ou diminui o volume de uma música.

Com escritórios na Alemanha e nos Estados Unidos, a Metaio é a pioneira e líder no mercado de RA e já soma mais de 3 milhões de consumidores, 500 projetos, 450 clientes e 10 anos de experiência. A empresa é criadora da plataforma Unifeye® e Junaio®, que permitem conectar qualquer objeto a uma informação digital de maneira fácil e rápida. Além disso, a empresa produz software voltado para desenvolvimento, design, publicidade e livros.

A Realidade Aumentada combina elementos virtuais com ambientes reais através de um software que reconhece a imagem pela câmera do computador ou celular e acrescenta a ela informação textual ou constrói objetos gráficos geralmente tridimensionais, às vezes animados, em tempo real. Apesar de ainda em fase inicial, o uso da tecnologia vem conquistando cada vez mais espaço nos mais diferentes campos, como, bioengenharia, física, geologia, design, arquitetura, educação e arte.

A literatura não fica de fora e hoje livros criados a partir desta tecnologia já encantam crianças e adultos. Imagine abrir um livro e assistir ETs ou animais pré-históricos saírem de dentro das páginas? Com a RA, o que parecia cena de filme agora é visível na tela do computador, criando um novo modo de os leitores interagirem com os livros e as máquinas. Leia mais na matéria da revista Wired.

Este novo cenário faz surgir muitas questões sobre os rumos da literatura: para onde ela vai? Estamos assistindo ao fim da lógica de leitura do livro impresso? A arte de narrar está apontando em outras direções. Para onde? E a crítica, onde se coloca num universo estruturalmente participativo? O que se sabe é que o advento das novas mídias trouxe infinitas possibilidades e perspectivas de narrativa, além de transformar o papel do autor e, principalmente, do leitor.

Ao longo dos próximos meses, o projeto Oi Cabeça abrirá um espaço importante no debate intelectual, trazendo para o Brasil outros grandes pensadores, como o filósofo Pierre Lévy, radicado no Canadá, e a pesquisadora americana Janet Murray. “O Oi Cabeça vai produzir um diálogo entre pensadores internacionais de ponta e criadores nacionais em busca de algumas respostas à pergunta: até onde pode ir a literatura antes de se tornar uma nova arte, baseada num novo suporte?”, explica Cristiane Costa.

Para Heloisa Buarque, a história comprova que todas as vezes que uma nova tecnologia surge, ela é sentida como uma ameaça para as mídias culturais anteriores. Foi assim com a pintura quando surgiu a fotografia, com o teatro com o advento do cinema, com o cinema com a popularização da televisão. “Agora, o livro é posto em questão. Decretará a internet o seu fim? Como das outras vezes, o tempo se encarregará de desmentir esta premissa?”, indaga.

Encontros – A programação do Oi Cabeça inclui mais cinco encontros até dezembro. Em agosto, 25, a mesa será formada por Pierre Levy e Gilberto Gil e a discussão será em torno do tema “O poder da palavra na cibercultura”. Janet Murray (Hamlet no Holodeck) e Cristiane Costa (Programa Avançado de Cultura Contemporânea – UFRJ) conversam sobre “Literatura Expandida”, no dia 20 de agosto. Já em outubro, 19, o tema será “Os novos gêneros e-literários”, com Robert Coover (ELO – Eletronic Literature Organization) e Giselle Beiguelman (O livro depois do livro). Os dois últimos debates serão com Ian Bogost (MIT– Newsgames) e Arthur Protasio (Centro de Tecnologia e Sociedade da FGV-RJ) sobre “Personagens, estratégias narrativas e engajamento nos games”, no dia 16 de novembro. O projeto se encerra no dia 7 de dezembro com um Labfest, espaço de troca e criação, que reunirá a comunidade literária impressa e transmídia num evento inédito e urgente no campo das letras.

O primeiro encontro do Oi Cabeça, em maio, trouxe para o Brasil a americana Nancy Baym, ex-presidente da Association of Internet Researchers e professora da Universidade do Kansas para debater sobre “O fim da crítica e o auge dos fãs”. Em junho, foi a vez de Scott Lindenbaum, um dos fundadores da revista digital Electric Literature, saudada como uma revolução entre as revistas literárias nos Estados Unidos para falar sobre “Novos espaços para a literatura”.

O Oi Cabeça é um Oi FUTURO – O Oi Futuro tem a missão de democratizar o acesso ao conhecimento para acelerar e promover o desenvolvimento humano. O principal foco das ações do instituto de responsabilidade da Oi é a promoção de um futuro melhor para os brasileiros, reduzindo distâncias geográficas e sociais. Os programas Oi Tonomundo, Oi Kabum! (escolas de arte e tecnologia), NAVE e Oi Novos Brasis atendem 600 mil crianças e jovens, desenvolvendo metodologias educacionais inovadoras, promovendo a inclusão digital e fornecendo conteúdo pedagógico para a formação de professores e educadores da rede pública. O Oi Conecta, um programa em parceria com o Governo Federal, leva banda larga a mais de 40 mil escolas públicas, beneficiando cerca de 26 milhões de alunos. Na área cultural, o Oi Futuro atua como gestor do Programa Oi de Patrocínios Culturais Incentivados, mantém dois espaços culturais no Rio de Janeiro (RJ) e um em Belo Horizonte (MG), além do Museu das Telecomunicações nas duas cidades. O Oi Futuro apoia, ainda, projetos aprovados pela Lei de Incentivo ao Esporte. A Oi foi a primeira companhia de telecomunicações a apostar nos projetos sócio-educativos inseridos na nova Lei.

PROGRAMAÇÃO:

20 de julho – 19h30

“Realidade aumentada”

Daniel Gelder (Metaio), Rogério da Costa (Laboratório de Estudos em Inteligência Coletiva e Biopolíticas – PUC-SP)

25 de agosto – 19h30

“O poder da palavra na cibercultura”

Pierre Levy (Universidade de Ottawa Canadá) e Gilberto Gil

21 de setembro – 19h30

“Literatura expandida”

Janet Murray (Hamlet no Holodeck) e Cristiane Costa (Programa Avançado de Cultura Contemporânea – UFRJ)

19 de outubro – 19h30

“Os novos gêneros e-literários”

Robert Coover (ELO – Eletronic Literature Organization) e Giselle Beiguelman (O livro depois do livro)

16 de novembro – 19h30

“Personagens, estratégias narrativas e engajamento nos games”

Ian Bogost (MIT – Newsgames) e Arthur Protasio (Centro de Tecnologia e Sociedade da FGV-RJ)

7 de dezembro – 19h30

Labfest

SERVIÇO:

Oi Futuro – Flamengo

Rua Dois de Dezembro, 63.

Tel: 21 3131-3060

Entrada Franca (senhas distribuídas 30 minutos antes)

Casa sujeita a lotação

PARTICIPANTES:

JULHO:

Daniel Gelder é vice-presidente da Metaio, a principal empresa do mundo especializada em realidade aumentada. Gelder começou na empresa quando ainda cursava Ciências Aplicadas, na Universidade de Munique, na Alemanha. Participou da definição do conceito de vários produtos, como as plataformas.

Rogério da Costa, Doutor em História da Filosofia – Université de Paris IV (Paris-Sorbonne), atualmente é professor do Programa de Pós Graduação em Comunicação e Semiótica da PUC-SP. Dirigiu a área de tecnologia da PUC-SP e a área de metodologias e tecnologias da informação da BIREME/OPAS/OMS. Dirige atualmente o – Laboratório de Inteligência Coletiva (LInC) e atua principalmente nos seguintes temas: inteligência coletiva, redes sociais, cibercultura, comunidades virtuais, micropolítica e capitalismo cognitivo.

AGOSTO:

Pierre Lévy é um dos mais proeminentes pensadores da atualidade. Cibercultura, hipertexto e mídias digitais são alguns dos temas abordados de forma pioneira por professor da Universidade de Quebec, entusiasta das possibilidades cognitivas da Internet. Lévy foi quem propôs o conceito de “inteligência coletiva” no começo dos anos 90, quando a internet comercial ainda engatinhava. É autor de clássicos como Cibercultura e O que é o virtual?

SETEMBRO:

Janet Murray, ex-diretora do Georgia Tech’s Masters and PhD Program in Digital Media. É autora de Hamlet no Holodeck: o futuro da narrativa no ciberespaço, publicado em vários países, inclusive no Brasil. Atualmente escreve um livro para o MIT Press, Inventing the Medium: A Principled Approach to Interactive Design e dirige o Experimental Television Laboratory, que faz experiências para  ABC  e MTV. É Ph.D.  em English por Harvard e foi professora do MIT.

Cristiane Costa é coordenadora do curso de jornalismo da ECO-UFRJ, doutora em Comunicação e Cultura e pesquisadora do pós-doutorado do Programa Avançado de Cultura Contemporânea. Foi editora do Portal Literal e hoje edita a Revista Digital Overmundo e o site Zona Digital.

OUTUBRO:

Robert Coover é professor do Literary Arts Program da Brown University, onde oferece cursos experimentais em hipertexto e narrativa multimídia, e fundador da ELO, Eletronic Literature Organization. Seu ensaio sobre hipertexto na New York Times Book Review, The End of Books, em 1992, foi um marco no assunto.

Giselle Beiguelman se destaca pelo trabalho em rede, envolvendo desde literatura e web art até mobile art, abrangendo pesquisa teórica associada à produção poética. Sua produção poética é reconhecida internacionalmente, tendo sido citada por inúmeros artigos e livros nas temáticas da cibercultura. É autora de livros e artigos de destaque, colaborando com revistas nacionais e internacionais. O trabalho com comunicação móvel faz parte de suas atividades desde 2001, o que a torna uma das pioneiras no Brasil nesse tipo de desenvolvimento. Suas obras acionam tanto o processo poético, quanto o estrutural da programação computacional e imbricamento de vários dispositivos. Suas atividades são bastante destacadas na organização e participação de eventos que fomentam a produção em mobile art, entre outras especificidades da arte. Entre suas realizações com dispositivos de comunicação móvel destacam-se Wop Art (2001) e Filosofia da caixa prata (2008), este realizado em Parceria com José Carlos Silvestre. Foi uma das ganhadoras do Prêmio Sergio Motta de 2003 (Brasil), além de, no mesmo ano, ter contado na lista International Media Art Award – The Top 50 do, ZKM (Alemanha).

NOVEMBRO

Ian Bogost, videogame designer, crítico e pesquisador. Professor do Georgia Institute of  Technology e fundador da Persuasive Games, dedicada ao uso social e político dos games. É autor de Unit Operations: An Approach to Videogame Criticism, Persuasive Games: The Expressive Power of Videogames e Newsgames: Journalism at Play. É formado em Philosophy and Comparative literature from the University of Southern California e Ph.D. em Comparative Literature pela UCLA.

Arthur Protasio é pesquisador do projeto de pesquisa e desenvolvimento de jogos CTS Game Studies, do Centro de Tecnologia e Sociedade da FGV. Bacharel em Direito com Domínio Adicional em Tecnologias e Mídias Digitais pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio). Atua como pesquisador, escritor e desenvolvedor de narrativas e jogos. Tem se aprofundado nas áreas de estudo e desenvolvimento de jogos eletrônicos em suas vertentes narrativas, transmidiáticas, interativas, culturais, artísticas e na sua ligação com a sociedade e a propriedade intelectual.

DEZEMBRO

Lab Fest