Na medida em que as certezas sobre a natureza e importância contemporâneas do conhecimento se abalam e se transformam, a harmonia em torno do que a universidade faz e sua importância para o país é colocada em xeque. Por outro lado, o tema das políticas culturais já é conhecido, mas a universidade avançou pouco no exame de seu papel, best practices e as novas possibilidades diante do novo quadro político da cultura.

Este seminário propõe a discussão desse ponto cego, com a participação de pesquisadores, gestores e ativistas (muitos dos quais exercem ou já exerceram mais de um desses papeis).  São pessoas comprometidas com projetos e debates que tangem as atuais políticas de cultura e o problema da democratização da sociedade brasileira.  O propósito é de rever a atual situação da academia, no nexo de relações entre o Estado e a sociedade civil em que atores acadêmicos vêm tendo um papel importante e mutante, nos últimos anos e décadas.  O debate enfocará também o impacto sobre o pensamento universitário brasileiro das novas políticas de inclusão e massificação da educação superior.

O evento é fruto do projeto interinstitucional “Democratização Cultural e Políticas Públicas: um debate interdisciplinar”, realizado entre a UFRJ (EM e ECO), UFF (História) e UERJ (Letras) e financiado pelo edital 12/2008 (Pró-Cultura) da CAPES.

Nos dias 13 e 14, haverá transmissão via internet pelo Faceboook: https://www.facebook.com/CulturaEPoliticasPublicas

Abertura: 12 de setembro de 2012, 18h, na Sala da Congregação da Escola de Música, UFRJ

Programação principal: quinta e sexta-feira, 13 e 14 de setembro de 2012, 9h às 18h, na Salão Pedro Calmon, Fórum de Ciência e Cultura, UFRJ

Entrada franca.

PROGRAMAÇÃO

Quarta-feira, 12 de setembro, às 18h, na Escola de Música da UFRJ, na Lapa

  • Abertura | “Poder sentar um pouco à beira da estrada” – Marcio Meirelles, Diretor do Teatro Vila Velha e ex-Secretário de Cultura da Bahia

Quinta-feira, 13 de setembro, das 9h às 12h30

  • Ações, Conceitos e Políticas de Patrimônio Cultural Imaterial: A Inserção Acadêmica em Questão.

A adoção pelo Brasil de uma política de “Registro de Bens Culturais de Natureza Imaterial que constituem o patrimônio cultural brasileiro” em 2000 representou um passo importante na mobilização em plano nacional de indivíduos, grupos, entidades e comunidades produtoras de saberes e fazeres de reconhecida importância à conformação de valores culturais em âmbito regional ou nacional. Ao produzir conhecimento potencialmente crítico sobre  saberes e fazeres, simultaneamente atento à história das práticas a serem tomadas como objeto das políticas e às transformações em curso nas lutas cotidianas dos indivíduos e comunidades envolvidas, o mundo acadêmico tem sido desde então acionado a cumprir papel de intermediação entre ideais e práticas muitas vezes conflitantes entre os diversos atores envolvidos em políticas de PCI.

Ao painel interessam questões como:

1) Como se posicionar academicamente diante dos conflitos ético-políticos e conceituais mais frequentes em torno das políticas de PCI?

2) Quais seriam os modos através dos quais o poder público, interesses privados, organizações sociais e movimentos independentes têm se relacionado com a academia no que tange a políticas de PCI?

3) Haveria visões alternativas entre os diversos atores das políticas de PCI (movimentos, entidades, poder público) sobre qual papel das instâncias acadêmicas nesses processos?

Marta Zambrano – Universidad Nacional de Colombia
Cláudia Márcia – IPHAN
Antonio Carlos Vieira – Museu da Maré
Spirito Santo – Grupo Vissungo e Musikfabrik, curso livre da UERJ

Quinta-feira, 13 de setembro, das 14h30 às 18h

  • Outras Epistemologias e a Academia

Há crescente consciência de que o conhecimento não é tão somente uma questão cerebral, mas deriva de muitos outros fatores e dimensões.  Recorrentemente, na história cultural brasileira, os modos de pensar logocêntricos e de cunho iluminista têm sido colocados em questão pelos mais diversos atores sociais, não só entre intelectuais universitários. O esforço de entender a contribuição ao conhecimento de outros modos de pensar, na atual conjuntura brasileira, é o que anima este painel.  Este momento, em que há um esforço de “massificar” a educação superior e cotas sociais e raciais são instituídas para minorar a homogeneidade sócio-racial da população estudantil, é propício para pensar como o próprio conhecimento universitário pode ser transformado com a inclusão de outras epistemologias e metodologias que normalmente são consideradas marginais ou mesmo externas à academia.  Este painel poderá levantar as seguintes questões:

1) A efetiva possibilidade de diálogo entre as noções de conhecimento que ocupam o imaginário universitário e outras possibilidades do pensar como as presentes nos conhecimentos tradicionais, nas artes e nas subjetividades construídas através do corpo?

2) Diante das diversas experiências presentes no panorama contemporâneo e a crescente perspectiva de inclusão de estudantes com trajetórias de aprendizado que contrastam com as expectativas predominantes, como conceber um projeto de educação superior?

3) Que experiência acumulada poderia servir de base a esse projeto?

José Jorge de Carvalho – Antropologia, UnB
Rosângela Araújo – Educação, UFBA
Rosângela Tugny – Música, UFMG
Júlio Tavares – Antropologia, UFF

Sexta-feira, 14 de setembro, das 9h às 12h30

  • A Cultura como Alavanca do Desenvolvimento: a Atuação da Universidade

Desde as lutas contra governos autoritários em diversas partes da América Latina nos anos 60, 70 e 80, a ação cultural aparece como chave para a ampliação do espaço democrático e o desenvolvimento socioeconômico, atraindo a atenção e participação de intelectuais universitários.  Em décadas mais recentes, ao passo que o Estado vem delineando políticas culturais que almejam democratizar o acesso aos bens culturais, esses intelectuais têm agido em projetos culturais populares, muitas vezes em parceria com o Estado ou com financiamento empresarial, seja estatal ou privado.  Esta mesa propõe uma reflexão sobre o papel da universidade no desenvolvimento socioeconômico da sociedade brasileira, a partir das atividades culturais em que esses intelectuais se envolvem.

1) Como avaliar as experiências acumuladas, aí incluindo processos, produtos e formas de financiamento?

2) Qual é a contribuição específica do conhecimento acadêmico na articulação entre cultura e desenvolvimento socioeconômico?

3) Quais os possíveis reflexos de iniciativas culturais visando o desenvolvimento socioeconômico sobre a política local e regional?

Cláudia Pfeiffer – IPPUR, UFRJ
Heloisa Buarque de Hollanda – PACC, UFRJ
Paul Heritage – Teatro, Queen Mary University of London / People’s Palace Projects
Silvia Esteves – ex-diretora de Bibliotecas e Centros Culturais da Fundação Municipal de Cultura de Belo Horizonte

Sexta-feira, 14 de setembro, das 14h30 às 18h

  • Modelos de Governança, Academia e Participação Social

A crescente visibilidade das relações existentes entre políticas governamentais para a cultura e as diversas esferas de ação social a partir de interesses públicos e privados expõe igualmente a participação da área acadêmica nessa relação assentada sobre muitas tensões e embates, diante dos quais é muitas vezes difícil posicionar-se com neutralidade ou distanciamento.

Pergunta-se nesta mesa:

1) É efetivamente possível ao mundo acadêmico manter pressupostos constitutivos de distanciamento e neutralidade na análise das políticas culturais?

2) Seriam as colaborações propostas por iniciativa do Estado, mercado e sociedade civil um caminho em si promissor de mudança social para algo melhor ou tão somente um meio utilitário de obter aval do mundo acadêmico a ações nem sempre justificáveis no âmbito de um debate efetivamente público pouco ou nada impactantes como fatores de mudança?

3) Seria o caso de o mundo acadêmico empreender autocrítica e superar seus pressupostos atualmente hegemônicos de distanciamento e neutralidade e tomar a si papel mais propositivo? Se for o caso de se tornar mais propositivo, como o fazer sem pretender substituir o papel das demais instâncias envolvidas no debate e ação culturais?

Edson Cardoso – Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR)
Eliane Costa – Universidade Candido Mendes – UCAM
Wanderley Guilherme dos Santos – Presidente da Fundação Casa de Rui Barbosa
Albino Rubim – Secretário de Cultura do Estado da Bahia

Organização do Seminário

Samuel Araújo – Música, UFRJ    &   Liv Sovik – Comunicação/PACC, UFRJ
Assistente: Camila Calado Lima – Comunicação, UFRJ

Pesquisadores principais do projeto interinstitucional “Democratização Cultural e Políticas Públicas: um debate interdisciplinar“:

Samuel Araújo – Música, UFRJ (Coordenador)
Adriana Facina – História, UFF
Liv Sovik – Comunicação/PACC, UFRJ
Victor Hugo Adler Pereira – Letras, UERJ

Apoio

CAPES
PACC/FCC/UFRJ

Realização

UFRJ (EM e ECo)
UFF (História)
UERJ (Letras)

Endereços

Sala da Congregação da Escola de Música, UFRJ
Rua do Passeio, 98 – Centro – RJ
(21) 2240-1391 | 2532-4649

Salão Pedro Calmon
Av. Pasteur, 250, 2º andar – Palácio Universitário do Campus da Praia Vermelha
(21) 2295-2346

https://www.facebook.com/events/349590315127081/

Currículo dos Participantes

Antonio Albino Canelas Rubim

Professor Titular da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Docente do Instituto de Humanidades, Artes e Ciências Professor Milton Santos e do Programa Multidisciplinar de Pós-Graduação em Cultura e Sociedade, ambos da UFBA. Pesquisador do Centro de Estudos Multidisciplinares em Cultura (CULT). Pesquisador I-A do CNPq. Atual Secretário de Cultura do Estado da Bahia. Autor de inúmeros artigos e livros, dentre os quais: Políticas Culturais e o Governo Lula e Cultura e Políticas Culturais. Organizador dos livros Políticas Culturais no Brasil e Políticas Culturais no Governo Lula, entre outros.

Antônio Carlos Pinto Vieira

Possui graduação em Curso de Direito pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1987) e Mestrado pelo Programa de Pós-graduação em Memória Social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (2008). Tem experiência no campo da memória social, com ênfase em estudos sobre a Cidade do Rio de Janeiro, em especial sobre as favelas e em Museologia Social, especialmente no estudo dos museus comunitários e de temática social.  De 2007 a 2010 foi conselheiro do Conselho Nacional de Políticas Culturais (CNPC) como representante da área de Museus, sendo atualmente conselheiro suplente.   Atualmente é presidente da Associação Brasileira de Museologia (ABM), membro do Conselho Nacional do Patrimônio Museológico e do Comitê do Sistema Brasileiro de Museus.  É um dos fundadores do Museu da Maré, onde atua como Coordenador e presidente do Centro de Estudos e Ações Solidárias da Maré (CEASM).

Claudia Marcia Ferreira

Museóloga formada pela Universidade do Rio de Janeiro. Dirige o Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular – CNFCP ao qual se integra o Museu de Folclore Edison Carneiro, hoje no âmbito do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional/IPHAN. Integrou o grupo de trabalho que elaborou a proposta de criação do Registro e do Programa Nacional do Patrimônio Imaterial, instituídos pelo Decreto 3551, de agosto de 2000. Tem experiência na gestão de inventários, pesquisas, dossiês de registro e planos de salvaguarda do patrimônio cultural de natureza imaterial.

Cláudia Ribeiro Pfeiffer

Uma pessoa interessada em contribuir para o desenvolvimento humano, cultural, comunitário e social no Brasil, é Socióloga, Dra. em Planejamento Urbano e Regional e Profa. Adjunta da UFRJ. Trabalha no Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional – IPPUR e na Escola Politécnica. Coordena o Laboratório Responsabilidade Social, Desenvolvimento Local e Políticas Públicas, no qual são desenvolvidas atividades de pesquisa e extensão em torno dos seguintes temas: políticas públicas e desenvolvimento social; gestão e desenvolvimento municipal; cultura e desenvolvimento local/regional; novas formas de produção e transmissão de conhecimento. Tem experiência em gerenciamento de programas e projetos comunitários, sociais, de responsabilidade sócio-ambiental. (http://claudiapfeiffer.wordpress.com)

Edson Lopes Cardoso

Natural de Salvador-BA, mestre em Comunicação Social (UnB) e doutorando em Educação (USP), é atualmente assessor especial da ministra Luíza Bairros (Seppir). Na Câmara dos Deputados, foi chefe de gabinete do Deputado Florestan Fernandes (1992-1995) e assessor de relações raciais de Paulo Paim na Terceira Secretaria da Mesa Diretora da Câmara dos Deputados (1997-1998) e na Primeira Vice-presidência do Senado (2003-2005). Foi editor de algumas importantes publicações do Movimento Negro: o “Raça & Classe”, da Comissão do Negro do PT-DF (1987), o “Jornal do MNU” (1989-1994), do Movimento Negro Unificado, e o jornal Ìrohìn (1997-2009).

Eliane Costa

Durante os últimos 9 anos, foi Gerente de Patrocínios da Petrobras, à frente da política cultural da empresa e do Programa Petrobras Cultural. Após se aposentar da empresa, há 3 meses, passou a atuar como consultora autônoma e a desenvolver atividades de coaching e mentoring, especialmente nos campos da Gestão Cultural, das Políticas Culturais (públicas e corporativas) e dos Patrocínios, estes últimos compreendidos como ferramenta de comunicação e de construção/consolidação da reputação de uma marca, em diálogo com as políticas públicas para o setor. É Doutoranda no Centre d’Études sur l’Actuel et le Quotidien (CEAQ) na Sorbonne/Paris V, sob a orientação do prof. Michel Maffesoli, com pesquisa sobre redes culturais periféricas na cidade do Rio de Janeiro. Mestra em Bens Culturais e Projetos Sociais pela FGV/CPDOC, é graduada em Física pela PUC, com pós-graduação em Engenharia de Sistemas pela COPPE-UFRJ e MBA Executivo em Comunicação pela ESPM. É pesquisadora-associada do Programa Avançado de Cultura Contemporânea (PACC) da UFRJ.

Spirito Santo

Músico e arte-educador, iniciou sua vida artística em teatro, nos subúrbios cariocas, como cantor e compositor. A pesquisa musical aproximou-o dos cancioneiros de garimpos e de congadas mineiras, decorrendo daí a criação do grupo musical Vissungo, que o incentivou à construção de instrumentos musicais com sonoridades específicas. Spírito Santo ministra a oficina Musikfabrik, no Centro Cultural da UERJ, onde desenvolve a prática de construção de instrumentos musicais.

Heloisa Buarque de Hollanda

Atualmente é Professora Emérita de Teoria Crítica da Cultura da Escola de Comunicação e Coordenadora do Programa Avançado de Cultura Contemporânea do Fórum de Ciência e Cultura, ambos da Universidade Federal do Rio de Janeiro, e diretora da Aeroplano Projetos. É autora de vários livros entre eles: 26 Poetas Hoje; Impressões de Viagem, ENTER, uma antologia digital; e Escolhas, uma autobiografia intelectual.  Sua atividade de pesquisa privilegia a relação entre cultura e política, trabalhando especialmente nos campos teóricos da teoria literária e dos estudos culturais. Sua pesquisa dedica-se às áreas de poesia, relações de gênero, relações étnicas, culturas marginalizadas e as questões colocadas pelo novo quadro econômico, político e cultural dos processos de globalização e desenvolvimento tecnológico. Seus estudos e pesquisas vêm focando a cultura produzida nas periferias urbanas e sua articulação com a cultura “culta”. Desenvolve neste campo o projeto Universidade das Quebradas, um projeto experimental de extensão baseado no conceito de ecologia dos saberes.

José Jorge de Carvalho

Possui Ph.D em Antropologia Social por The Queens University of Belfast (1984); pós-doutorado pela Rice University (1995) e pós-doutorado pela University of Florida (1996). Foi Catedrático Tinker Professor na University of Wisconsin – Madison (1999). Atualmente é Professor Associado da Universidade de Brasília, Pesquisador 1-A do CNPq e Coordenador do INCT – Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia e Inclusão do Ensino Superior e na Pesquisa, do Ministério de Ciência e Tecnologia e do CNPq.

Seu trabalho como antropólogo se desenvolve principalmente nas seguintes áreas: Etnomusicologia, Estudos Afro-brasileiros, Estudo da Arte, Religiões Comparadas, Música e Espiritualidade, Culturas Populares, e Ações Afirmativas para os Negros e Indígenas.

Júlio César de Tavares

Professor Associado no Departamento de Antropologia da Universidade Federal Fluminense. É Doutor em Antropologia – University of Texas at Austin (1998) e tem pós-doutorado como Rockefeller Post-Doctoral Fellow no Center for Black Music Research, em Chicago (2001). Participou do Executive Board da ASWAD (Association for the Study of the Worldwide African Diaspora) de 2000/2009. Trabalha com Antropologia da Comunicação, Antropologia da Diáspora Africana, Antropologia do Corpo, Estudos Culturais e Etnografia. Dirigiu o TEDxUFF 2012, é coordenador do LEECCC – Laboratório de Etnografia e Estudos em Comunicação, Cultura e Cognição bem como da Pós-Graduação LatuSenso em Antropologia e Desenvolvimento Cognitivo. É também um incansável ativista na luta contra o racismo e pela inclusão dos Estudos Antropológicos e Históricos da Diáspora e Civilização Africana em todos os currículos das redes de ensino público e privado do país.

Marcio Meirelles

É um criador teatral. Foi conduzido a esta arte por Jurema Pena. Começou a fazer teatro universitário como atividade política em 1972. Em 1976, com Maria Eugênia Milet, criou o grupo Avelãz y Avestruz. E em 1990, com Chica Carelli, o Bando de Teatro Olodum. Em 1994 iniciou, com muitos artistas, entre eles Angela Andrade e Cristina Castro, a reforma e revitalização do Teatro Vila Velha, hoje referência como centro de formação, criação, intercâmbio e difusão das artes cênicas. Condecorado Cavaleiro da Ordem do Mérito da Bahia por sua trajetória na área cultural, foi Secretário de Cultura do Estado da Bahia de 2007 a 2011. Em 2011 assume a direção do Vila Velha.

Marta Zambrano

Professora Associada da Universidad Nacional de Colombia, Ph.D. em Antropologia pela University of Illinois at Urbana-Champaign e Mestre em Antropologia pela mesma instituição. Desenvolve pesquisas nos campos de Antropologia histórica, história colonial; colonialismo e pós-colonialismo; metodologia: memória, história e escritura; gênero; identidades e etnicidade; folha de coca, patrimonialização e mercado. Autora de diversas publicações, como Cocaína, capitalismo e imperio: encadenamientos globales y políticas del narcotráfico, e co-organizadora de Memorias hegemónicas, memorias disidentes: El pasado como política de la historia. Recebeu várias premiações ao longo de sua carreira, como os Prêmios de docência meritória, pela Facultad de Ciencias Humanas, da Universidad Nacional de Colombia, em 2004 e o Premio de docência excepcional, pelo Departamento de Antropología, da Universidad Nacional de Colombia, no ano de 2001.

Paul Heritage

Professor de Artes Dramáticas e Performance na Queen Mary, University of London, e Diretor Fundador do People’s Palace Projects no Reino Unido e no Brasil. Há mais de quinze anos, Paul desenvolve projetos, produções e programações culturais com foco na construção de conhecimentos e troca de experiências sobre práticas artísticas voltadas à transformação social. Através do People’s Palace Projects, Paul criou uma série projetos teatrais sobre direitos humanos no sistema penitenciário em mais de onze estados brasileiros, em parceria com o Ministério da Justiça. Paul Heritage dirigiu peças de Shakespeare com elenco célebre em alguns dos mais renomados teatros do Rio de Janeiro e áreas de conflito nas favelas de Vigário Geral, Parada de Lucas e Rocinha. Paul recebeu o Prêmio Betinho de Cidadania e Democracia e o Prêmio Orilaxé de Direitos Humanos. Em 2004, foi nomeado Cavaleiro da Ordem do Rio Branco pelo governo do Brasil em reconhecimento aos seus serviços às relações culturais anglo-brasileiras, e em 2010 foi convidado a se tornar Conselheiro Internacional do programa Cultura Viva. Autor de inúmeras publicações sobre o Brasil, Paul foi homenageado com uma sala de teatro que leva seu nome em um presídio de segurança máxima em Brasília.

Rosângela Costa Araújo/Janja

Formada em História pela Universidade Federal da Bahia/UFBA. Mestrado e Doutorado em Educação pela Universidade de São Paulo/USP. Professora Adjunta da Universidade Federal da Bahia/UFBA, atua junto ao Departamento de Educação I/Faced e ao Bacharelado de Estudos de Gênero e Diversidade-NEIM/Departamento de Ciências Políticas. É também professora do Doutorado Multidisciplinar e Multiinstitucional de Difusão do Conhecimento – DMMDC/UFBA. Mestra de capoeira, é uma das coordenadoras do Instituto Nzinga de Capoeira Angola, hoje com núcleos no Brasil (4) e exterior (4). É pesquisadora e regente da Orquestra Nzinga de Berimbaus e co-editora da Revista Toques D’Angola.

Rosângela Pereira de Tugny

Professora associada do Departamento de Teoria Geral da Música e do Programa de Pós-Graduação em Música da UFMG e integrante do INCT – CNPq de Inclusão Social no Ensino Superior e na Pesquisa. Graduada em música pela UFMG, possui Doutorado em Música pela Université de Tours (França) e realizou pós-doutorado em Antropologia Social junto ao Museu Nacional da UFRJ. Dentro da UFMG criou o Laboratório de Etnomusicologia e coordenou projetos no Acervo Curt Lange. Como pesquisadora do CNPq realiza pesquisas em colaboração com xamãs, ilustradores e narradores tikmũ’ũn, a partir das quais foram publicados dois livros de tradução de cantos e mitos de sua cultura ancestral – Cantos e histórias do morcego-espírito e do hemex e Cantos e histórias do gavião-espírito e foi curadora da exposição Cantobrilho tikmũ’ũn, no limite do país fértil realizada pelo Museu do Indio – Funai. Coordena o projeto de Documentação de sonoridades indígenas “O trabalho da memória através dos cantos” junto ao Museu do Índio – Funai.

Silvia Esteves

Graduação em Psicologia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (1985). Com MBA em Gestão e Empreendedorismo Social pela FIA – USP, tem experiência na área de Psicologia, com ênfase em Análise Institucional, atuando principalmente nos seguintes temas: juventude, grupos e coletivos, educação, cultura, saúde mental, novas tecnologias e empreendedorismo social. Foi responsável pela Diretoria de Bibliotecas e Centros Culturais da Fundação Municipal de Cultura de Belo Horizonte de maio de 2010 a julho de 2012.

Wanderley Guilherme dos Santos

Graduou-se em Filosofia e é Ph.D em Ciência Política pela Universidade de Stanford, professor titular (aposentado) de Teoria Política da Universidade Federal do Rio de Janeiro, membro fundador do Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro – IUPERJ e membro titular da Academia Brasileira de Ciências. Atualmente exerce profissionalmente a função de presidente da Fundação Casa de Rui Barbosa vinculada ao Ministério da Cultura. Publicou, entre outros, Razões da Desordem – 3ª edição (1994), Décadas de Espanto e Uma Apologia Democrática, Rio de Janeiro: Rocco, 1998, Roteiro Bibliográfico do Pensamento Político-Social Brasileiro (1870-1965): Belo Horizonte: Editora UFMG, 2002, Votos e Partidos Almanaque de Dados Eleitorais: Brasil e outros países, Rio de Janeiro: Editora FGV, 2002, O Cálculo do Conflito – Estabilidade e crise na política brasileira, Belo Horizonte: Editora UFMG, 2003 (premiado na categoria Ensaio, Crítica e História Literária pela Academia Brasileira de Letras, 2004), Horizonte do Desejo: Instabilidade, fracasso coletivo e inércia social, Rio de Janeiro: Editora FGV, 2006 (Prêmio Vitor Nunes Leal da Associação Brasileira de Ciência Política – ABCP, BH, 2006), O Ex-Leviatã Brasileiro – do voto disperso ao clientelismo concentrado. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2006; Governabilidade e democracia natural, Rio de Janeiro: Editora FGV, 2007; O Paradoxo de Rousseau – uma interpretação democrática da vontade geral, Rio de Janeiro: Rocco, 2007 e recentemente Acervo de Maldizer, Rio de Janeiro: Rocco, 2008.